domingo, 10 de fevereiro de 2019

Aula 02/2019 -TEMA: Rótulos



Alguns de nós, por falta de sabedoria, de tato e de cuidado, atribuímos rótulos errados a pessoas.
O que sai da nossa boca pode marcar a vida de pessoas porque palavras deixam marcas. E essas marcas são difíceis de sarar. Às vezes, elas cicatrizam, mas ficou uma marca. Ela fecha não fica ferida eternamente, mas fica a cicatriz de algo que pregamos com a nossa língua.
Você já rotulou alguém?
Tenha o cuidado de atribuir palavras que coloquem a pessoa para cima, fale positivo sobre ela, que as suas palavras sirvam de inspiração para as pessoas.

Material da Aula

TEXTO 1 – FATO MOTIVADOR - Meninos vestem azul e meninas rosa, diz ministra
A nova ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, gerou polêmica nesta quinta-feira (3) após um vídeo em que afirma que o Brasil vive uma "nova era" em que "menino veste azul e menina rosa" circular nas redes sociais. No início da gravação é possível ouvir um grupo de pessoas pedindo silêncio para Damares falar. "É uma nova era no Brasil: menino veste azul e menina veste rosa", disse a ministra.  
Já no final da declaração, a pastora evangélica é aplaudida pelo público presente em uma sala. O local, no entanto, não foi identificado. Damares assumiu o ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do governo de Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (2). Em seu discurso, a também advogada chegou a afirmar que durante os próximos quatro anos de mandato "menina será princesa e menino, príncipe". A declaração, segundo ela, é um aviso contra a "doutrinação ideológica". "Neste governo, menina será princesa e menino será príncipe. Ninguém vai nos impedir de chamar as meninas de princesa e os meninos de príncipe. Vamos acabar com o abuso da doutrinação ideológica", ressaltou.  
As declarações dos integrantes do novo governo têm causado polêmica, desde o primeiro dia no poder, principalmente depois que Bolsonaro assinou uma Medida Provisória (MP) retirando a população LGBT das diretrizes do Direitos Humanos.  
No novo documento, dentre as políticas e diretrizes destinadas à promoção dos direitos humanos estão incluídos explicitamente somente "mulheres, criança e adolescente, juventude, idoso, pessoa com deficiência, população negra, minorias étnicas e sociais e Índio". (ANSA).

TEXTO 2 – Rosa nem sempre foi 'cor de menina' - nem o azul, 'de menino'
"A regra geralmente aceita é que rosa é para os meninos, e azul para as meninas. O motivo é que o rosa, sendo uma cor mais decidida e forte, é mais apropriado para meninos. Enquanto o azul, que é mais delicado e gracioso, é mais bonito para a menina."
O parágrafo acima foi publicado há cem anos, em 1918, por uma revista de moda infantil americana, a Earnshaw, voltada para profissionais da área. Foi encontrado por Jo Paoletti, professora emérita de Estudos Americanos na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, e autora do livro Pink and Blue: Telling the Boys from the Girls in America (Rosa e Azul: Distinguindo Meninos de Meninas nos Estados Unidos).
"(Encontrar essa frase) virou minhas suposições de cabeça para baixo", lembra a pesquisadora, em conversa com a BBC News Brasil. Afinal, o rosa nem sempre havia sido uma cor de menina, nem o azul cor de menino.
"A ideia de que há algo natural e permanente sobre o uso de rosa para as meninas e azul para garotos é historicamente errada", diz Paoletti. "Assim, também é errada a ideia de que se você não tratar as crianças segundo um estereótipo de gênero elas vão crescer confusas, serão pervertidas, vão se tornar homossexuais, transgênero. Não há nenhuma evidência disso. Não é dos estereótipos de gênero que nasce a identidade homossexual ou trans."
O contexto da frase é a intenção do novo governo de combater a chamada "ideologia de gênero". O termo, que não é reconhecido por estudiosos, foi popularizado por segmentos contrários à ideia de que gênero é uma construção social e, portanto, não está restrito ao sexo biológico de uma pessoa.
"Fiz uma metáfora contra a ideologia de gênero, mas meninos e meninas podem vestir azul, rosa, colorido, enfim, da forma que se sentirem melhores", disse a ministra, após a reação das redes sociais, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.
Vestidos brancos para bebês e azul feminino em alusão à Virgem Maria
A divisão de cores de meninos e de meninas é uma construção social recente, explica Paoletti. "Cem anos atrás, os bebês usavam vestidos brancos, independentemente do sexo da criança. Essas roupas brancas eram mais fáceis de serem mantidas limpas, porque podiam ser fervidas", diz ela. Além disso, era mais fácil trocar a fralda de um bebê de vestido do que com calças.
"Quando as cores foram introduzidas no vestuário infantil, tinham tons pasteis, mas não importava se era rosa ou azul. Geralmente, eram escolhidas de acordo com o tipo físico da criança. Era muito comum ver bebês de olhos azuis vestindo azul. E bebês de olhos castanhos vestindo rosa. As pessoas achavam que combinava mais", continua Paoletti.
O uso das cores também variava de acordo com a região, explica a pesquisadora. "Em alguns países católicos, era comum encontrar o uso de azul para meninas, porque o azul era associado à Virgem Maria. Em outros locais católicos, como França e Bélgica, o primeiro filho costumava ser dedicado à Virgem Maria e vestido de azul, fosse menino ou menina."
Mais recentemente, o uso de rosa para meninas e azul para meninos se tornou padronizado em todo o Ocidente. Como isso ocorreu? Uma das explicações é que o padrão teria sido criado pela indústria da moda americana e se espalhado para outros países.
O professor de psicologia da Universidade do Novo México, Marco Del Giudice, analisou as ocorrências de rosa e azul para meninos e meninas em uma base de dados de milhões de livros, publicados a partir de 1880. Segundo ele, as referências a "rosa para meninas" começaram a ser mais abundantes a partir do final da Segunda Guerra Mundial, na década de 1940.
Além disso, outros simbolismos de gênero entraram na moda infantil, como laços e corações para meninas, aviões e bolas para meninos. "Antes, o que definia a moda infantil era a praticidade, a conveniência. Agora, as pessoas estão mais interessadas em garantir que seu filho pareça com o estereótipo de um menino", diz Paoletti.
Meninas preferem rosa? Ciência diz que não.
Um estudo de 2011 publicado pela Sociedade de Psicologia Britânica analisou a preferência de cor de bebês e crianças com idades entre 7 meses e 5 anos. Cada criança recebeu um par de objetos, um com a cor rosa e o outro com uma segunda cor. Os pesquisadores, então, observaram qual era a preferência ou rejeição pelos objetos rosas.
O resultado foi que, com até um ano de idade, meninas e meninos escolheram objetos cor-de-rosa de forma semelhante. Ou seja, não havia uma preferência de gênero pela cor.
Já aos dois anos, as meninas passaram a preferir o rosa um pouco mais frequentemente que os meninos. E, a partir de dois anos e meio, a preferência por rosa despontou nas meninas, ao mesmo tempo que a rejeição ao rosa prevaleceu entre meninos.
Segundo as pesquisadoras, a preferência pelo rosa nessa idade pode ser explicada pela identificação de gênero que é dada pelos adultos e acaba absorvida pelas crianças.
"As descobertas vão na contramão da sugestão de que as preferências de cor podem ter uma base biológica. Alguns pesquisadores propuseram que há mais vantagem evolutiva para mulheres que são atraídas por cores de frutas, como o rosa. Mas, se as mulheres tivessem uma predisposição biológica ao rosa, então isso seria evidente independentemente da aquisição de conceitos de gênero".

TEXTO 3 – Porque os seres humanos criam "Rótulos" uns para os outros?
Loira, negro, branco, pobre, índio, feio, crente, ateu, gay, piriguete, deficiente, são todos rótulos para explicar, enquadrar, orientar, de maneiras menos ou mais politicamente corretas, uma categoria geral de seres vivos: Gente.
O ser humano parece ter a necessidade de criar rótulos para si ou para os seus semelhantes, e isso parece ter algumas funcionalidades: Em primeiro lugar, rótulos servem para economizar energia nas relações humanas. Isso porque é fácil se relacionar com categorias de pessoas, esperando comportamentos comuns à elas, ao invés de se esmerar no conhecimento das qualidades individuais de cada pessoa, pois cada uma é singular no mundo e o comportamento de cada varia... Pense que inferno seria viver em mundo em que você teria que conviver pelo menos um dia inteiro com cada pessoa para tirar conclusões a respeito dela?! Seria ideal? Talvez, mas levaria muito mais tempo para desenvolvermos relações humanas e por isso, viver em sociedade. Ou seja, não seria parcimonioso (econômico), e isso impossibilitaria as relações. Por isso, o ser humano parece ser preparado pela natureza para pensar a sociedade, e os indivíduos que a compõe através de rótulos.
E isso nos leva ao segundo ponto, pensar o ser humano por rótulos parece ajudar a formação de grupos sociais. Eles são muito importantes, e sempre foram na história da humanidade! Primeiramente, há milhares de anos, desenvolveram um papel crucial na sobrevivência dos homens pré-históricos, e hoje, continuam desenvolvendo um papel essencial, em tarefas não menos importantes para a formação e manutenção da humanidade, como a sociabilidade, a criação de redes de informação e etc.
O terceiro ponto, pelo qual se pode entender os relacionamentos baseados em rótulos pode ser entendido para a afirmação de uma identidade! Tal identidade pode ser autoafirmada ou insuflada por outros para o indivíduo e tem como objetivo demarcar a nossa singularidade no mundo. Tal identidade pode ser individual ou grupal: Um grupo LGBT, um grupo de pesquisadores da teoria psicanalítica, um grupo de religiosos, etc. E isso nos leva ao quarto ponto que é...
A afirmação política. Sim, a rotulação de pessoas e relações pode ser usada para a afirmação política, se a entendermos como afirmação de uma posição e de poder. Isso pode ser facilmente compreendido nos mecanismos de formação de governos, ou de políticas públicas ou de Estado/Governo, por exemplo: Eu sou brasileiro (um ser que vive em um território, com linguagem e costumes, relativamente comuns à outros indivíduos) que entende ser necessária a política de cotas para pobres (política de governo) para a diminuição das diferenças dos excluídos sociais (política de Estado). Ou seja, em uma única frase, fui capaz de usar três rótulos para me posicionar politicamente.
E por último, deixei a o mais "macabro" de todos eles, mas que é real, e pode ser compreendido pela junção de um ou todos os itens anteriores: A segregação! Sim, esta que é uma das expressões políticas fruto do extremo da estigmatização (Goffman, 1980). Dá se o nome para uma pessoa/grupo por conta de algum "marcador social" com o objetivo de rebaixá-lo a algum nível de subserviência e obter algum tipo de benefício político com isso.
Ou seja, o que se passa com o relacionamento com rótulos é que, eles sempre ocorrem nas dinâmicas interpessoais, e eles são parte natural do processo de "encontro" com outra pessoa no mundo. Na medida em que nossas relações vão se aprofundando eles vão dando lugar à um conhecimento verdadeira da pessoa/grupo. Não que os rótulos deixem de existir, na verdades rótulos novos dão lugar à rótulos velhos, e isso não é necessariamente maligno. Maligno é o fato de usar os rótulos para diminuir ou extrair vantagem de um semelhante. Acredito que os rótulos foram impressos na natureza como forma de nos dar atalhos para o estabelecimento das relações humanas, e que devem, por isso, ser usados para tal finalidade benéfica para o ser humano, e não para os efeitos colaterais que isso pode gerar.

TEXTO 4 – A ALMA DIFERENTE
O mundo ainda não aprendeu a lidar com seres humanos diferentes da média.
Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errado. Para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não aguentarem, caso um dia venham a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição. Nunca é um chato. Mas é sempre confundido com ele por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está diferente, talentos são rechaçados; vitórias são adiadas; esperanças são mortas. Um diferente medroso, este sim acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.
O diferente começa a sofrer cedo, desde o colégio, onde todos os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns professores por omissão (principalmente os mais grossos), se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial, em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em "- puxa, fulano, como você é complicado". O que é o embrião de um estilo próprio em "- Você não está vendo como é que todo mundo faz?"
O diferente carrega desde cedo apelidos e carimbos nos quais acaba se transformando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo à sua volta se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.
Diferente é o que: chora onde outros xingam; quer, onde outros cansam; espera, de onde já não vem; sonha, entre realistas; concretiza, entre sonhadores; fala de leite em reunião de bêbados; cria, onde o hábito rotiniza; perde horas em coisas que só ele sabe importantes; diz sempre na hora de calar; cala sempre nas horas erradas; fala de amor no meio da guerra; deixa o adversário fazer o gol porque gosta mais de jogar que de ganhar; aprendeu a superar o riso, o deboche, o escárnio e a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual; vê mais longe do que o consenso; sente antes dos demais começarem a perceber; se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham.
A alma dos diferentes é feita de uma luz além. A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes. Jamais mexam com o sentimento de um diferente. Ele é sensível demais para ser conquistado sem que haja conseqüência com o ato de o conquistar.


Algumas Imagens


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 Alguns Vídeos












 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Aula 01/2019 -TEMA: O lucro é o que “VALE”?.










TEXTO 1 – FATO MOTIVADOR - Rompimento de barragem de rejeitos de minério provoca desastre em Brumadinho (MG)
Uma enxurrada de lama fez o Brasil inteiro relembrar, nesta sexta (25/01), a tragédia ambiental e humana registrada há pouco mais de 38 meses em Minas Gerais. De novo, em Minas Gerais. De novo, pelo rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração da Vale, que acabou provocando o transbordamento de outras duas barragens.
No início da tarde, um mar de lama desceu por um vale cheio de sítios e vilarejos e saiu destruindo a vegetação, cobrindo as casas e revirando muitos carros. Eram 13h20 quando os bombeiros confirmaram o rompimento de uma barragem de rejeitos da Mina do Feijão. Ela ficava numa área rural, a poucos quilômetros de Brumadinho, na Região Metropolitana e Belo Horizonte. Faz parte de um complexo de mineração da Vale. A empresa disse que a barragem tinha rejeitos de minério de ferro e não estava ativa desde 2015.
Muitos funcionários estavam no refeitório. Ainda não se sabe quantas pessoas estavam no local. Em pouco tempo, a lama cobriu a área administrativa da Vale e parte da comunidade da Vila Ferteco. Aproximadamente mil pessoas moram na região.
No fim da tarde, o Ministério do Meio Ambiente declarou que outras duas barragens do complexo se romperam. Os bombeiros afirmaram que vazaram 13 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério. Essa quantidade é um quarto do que vazou da barragem de Fundão, em Mariana, há três anos. As imagens de antes e depois do rompimento mostram a dimensão da destruição.
A lama seguiu rumo ao rio Paraopeba, um dos principais afluentes do São Francisco. Parte do abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte é feita com a captação da água do Paraopeba. A Copasa afirmou que está suspensa a captação da água do rio Paraopeba em Brumadinho e que o abastecimento da população atendida pelo sistema Paraopeba está sendo realizado por outras represas e pelo Rio das Velhas.
Fonte:       https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2019/01/25/rompimento-de-barragem-de-rejeitos-de-minerio-provoca-desastre-em-brumadinho-em-minas-gerais.ghtml
TEXTO 2 – Brumadinho: Perguntas e respostas sobre a tragédia na barragem da Vale
Na última sexta-feira, 25 uma barragem da mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, localizada em Brumadinho, se rompeu, atingindo a área administrativa da empresa e a comunidade da Vila Ferteco. A tragédia deixou, até o momento, 99 mortos, 259 desaparecidos e 176 desabrigados.
Quais são os impactos do rompimento da barragem até o momento?
A Barragem 1 tinha cerca de 13 milhões de m³ de rejeitos, que foram despejados sobre a região do Córrego do Feijão, atingindo a área administrativa da empresa, a comunidade da Vila Ferteco e a pousada Nova Estância. A onda de rejeitos chegou até o Rio Paraopeba, a cerca de 8 km da barragem, e começou a se mover em direção ao Rio São Francisco.
Quais medidas estão sendo tomadas para atender as vítimas?
Familiares dos desaparecidos se queixam de abandono por parte da empresa e da falta de informação sobre seus parentes. A Vale anunciou uma doação de R$ 100 mil para cada família de vítima e disse que profissionais de saúde do Hospital Albert Einstein foram chamados para ajudar as vítimas.           
Já foram aplicadas punições à Vale?
A empresa teve R$ 16 bilhões bloqueados pela Justiça e também recebeu uma multa de R$ 250 milhões do Ibama.
Alguém foi preso?
Cinco pessoas – dois engenheiros da empresa alemã TÜV SUD, que atestou a estabilidade da barragem, e três funcionários da Vale que estariam envolvidos diretamente no licenciamento da barragem – foram presos na terça-feira, 27. A Justiça decretou a prisão temporária por 30 dias por suspeita de homicídio qualificado, crime ambiental e falsidade ideológica.
As causas já foram identificadas?
A investigação ainda está sendo feita. A perícia só poderá ir ao local do acidente após o término das buscas pelos bombeiros.
Como é feita a fiscalização dessas barragens?
As inspeções de segurança são feitas pela própria empresa ou por empresas contratadas por ela, como foi o caso da Vale com a TÜV SÜD. A fiscalização cabe à Agência Nacional de Mineração, que tem apenas 35 fiscais capacitados para atuar nas 790 barragens de rejeitos de minérios, semelhantes às do Córrego do Feijão, em Brumadinho, e à do Fundão, em Mariana.
Quais medidas foram tomadas pelo governo e pela Vale para evitar novos acidentes?
O governo anunciou que órgãos federais fiscalizarão 3.386 barragens que se encontram em alto risco ou têm possibilidade de dano em todo o País. Dessas, 205 são de resíduos de mineração e terão prioridade. A Vale anunciou que vai encerrar as atividades em todas as suas barragens à montante, em um prazo de três anos. Isso deve reduzir a produção da companhia em 10%.
Por que o sistema de alarme não funcionou?
Segundo Maria Júlia Andrade, que integra o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), moradores de áreas vizinhas à barragem disseram que o sistema de alarme não funcionou no momento do acidente.
A Vale promoveu um treinamento com os moradores da região para casos de acidente, orientando-os sobre como agir e para onde fugir caso ouvissem o alarme. Porém, segundo Andrade, nenhuma sirene foi acionada após o acidente. "É a sirene que desencadeia todos os protocolos de segurança. Se ela não toca, não há protocolo."
Em entrevista coletiva na sexta, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, disse que o acidente pode ter ocorrido muito bruscamente, sem que o alarme pudesse surtir efeitos.
Outras barragens foram afetadas pelo rompimento?
Após o acidente, bombeiros disseram à imprensa que o rompimento da barragem havia danificado outras duas barragens do mesmo complexo de mineração. Já o presidente da Vale afirmou que uma única barragem se rompeu e que uma segunda barragem havia transbordado, mas estava com a estrutura intacta.
Até onde a lama chegará?
A lama do desastre em Brumadinho já chegou ao rio Paraopeba, que é um afluente do São Francisco. Este, por sua vez, é o rio mais importante da região Nordeste, responsável pelo abastecimento de dezenas de milhões de pessoas.
Para chegar ao São Francisco, a lama terá de atravessar outras barragens que não estão em sua capacidade máxima e que podem diluí-la, atenuando seus impactos na bacia.
Como a barragem teve sua segurança aprovada em relatórios recentes?
Segundo a Vale, a barragem rompida tinha Declarações de Condições de Estabilidade emitidas pela empresa TUV SUD em junho e setembro de 2018. A empresa diz que os documentos atestavam "a segurança física e hidráulica da barragem".
Porém, especialistas questionam os critérios dessa aprovação. Alessandra Cardoso, assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), cita o fato de que a barragem estava sem receber rejeitos há três anos.
"É importante saber se a empresa adota o mesmo rigor de segurança em barragens que estão inativas, em processo de sedimentação."
Para ela, quando uma mina ou barragem paralisa suas atividades, "a tendência é que a empresa dê menos atenção" aos critérios de segurança.
Fonte 1: https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,brumadinho-perguntas-e-respostas-sobre-a-tragedia-na-barragem-da-vale,70002702200
Fonte 2: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-47012088
TEXTO 3 – Tocantins tem quatro barragens em situação de risco e mais de 520 sem monitoramento
Quatro barragens no Tocantins estão com as estruturas comprometidas após apresentarem erosões e infiltrações, segundo levantamento da Agência Nacional de Águas (ANA). Ao todo, o estado tem 680 estruturas de barramento cadastradas. O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) seria responsável por monitorar a maioria, cerca de 670, mas somente 143 foram vistoriadas e classificadas quanto ao risco e dano potencial. Ou seja, 527 ainda não foram monitoradas.
No Tocantins existem três barragens de rejeitos de minério, segundo a ANA, semelhantes à que rompeu em Brumadinho (MG), que são fiscalizadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Os barramentos ficam em Arraias, Chapada da Natividade e Taipas do Tocantins. As barragens destinadas a geração de energia, por sua vez, são inspecionadas e controladas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Por fim, cerca de 670 barragens existentes no estado seriam de responsabilidade estadual. O Naturatins explicou que a fiscalização é constante desde 2017 e realizada a partir do momento que os barramentos são identificados em imagens de satélite. Na maioria dos casos, trata-se de barramentos pequenos feitos para irrigação de lavouras ou para animais beberem.
As quatro barragens que apresentam situação mais preocupante estão localizadas em projetos de irrigação: três no Projeto Rio Formoso, em Formoso do Araguaia, e uma em Darcinópolis. Todas são classificadas com Dano Potencial Alto ou Categoria de Risco.
Conforme relatório da Agência Nacional de Águas, estas barragens apresentam "estruturas comprometidas e parcialmente inoperantes, surgimento de infiltrações nos taludes, vegetação generalizada, equipe e sistema de monitoramentos insuficientes."
Quanto a situação das barragens do Projeto Rio Formoso, o Instituto Natureza do Tocantins afirmou que conseguiu recursos do Governo Federal para revitalizar as estruturas e iniciou processo de licitação ainda em 2017, mas aguarda empenho dos recursos por parte da União.
Enquanto as obras não são iniciadas, a capacidade dos reservatórios foi reduzida para 60%. Uma das barragens trabalha com 52% da capacidade. Enquanto as outras estão com 20% e 40%. Os dados levam em conta relatórios desta segunda-feira (28), segundo o Naturatins.
"O Governo do Estado já encaminhou dois ofícios ao Ministério da Integração Nacional solicitando o repasse dos recursos e está aguardando a resposta da União para finalizar o processo licitatório e iniciar as obras de revitalização das barragens e demais estruturas do Projeto Rio Formoso", diz nota do Naturatins.

TEXTO 4 – Algumas imagens
                                    

TEXTO 5 – Uma notícia antiga, porém bem atual... à Acidente ou crime?
O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse em entrevista à BBC Brasil que é precipitado no momento fazer avaliações sobre qual a responsabilidade da mineradora Samarco no rompimento de duas de suas barragens na região central de Minas Gerais, acontecimento que provocou uma enxurrada devastadora de lama sobre o município de Mariana.
Questionado a respeito da avaliação do governo sobre o rompimento das barragens ser acidente ou crime ambiental, Braga disse que "agora qualquer informação é prematura com relação ao episódio, a não ser o fato de lamentarmos profundamente o episódio pela magnitude, (pela) forma como aconteceu".
Impactos da mineração
A tragédia de Mariana chama atenção para os riscos e impactos da exploração de minério. Há três anos, está em debate no Congresso Nacional o novo Código de Mineração, que deve reciclar as regras do setor.
O projeto de lei foi enviado em junho de 2013 pelo governo federal em regime de urgência, mas a discussão acabou se arrastando até hoje.
Doações de mineradoras
Os movimentos críticos ao setor, porém, dizem que as mineradoras têm maior poder de influência sobre os parlamentares devido às doações que fazem para suas campanhas.
Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase),vários deputados da Comissão Especial que analisa o código receberam doações de mineradoras, entre eles Quintão (PMDM-MG), e o presidente da comissão, Gabriel Guimarães (PT-MG).
Em entrevista à BBC Brasil, Quintão disse que as doações que recebeu são legais e que o código de mineração não afeta uma empresa específica, mas várias. O deputado disse ainda que foi "inocentado" no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Câmara – onde o então presidente Henrique Eduardo Alves (PMDB) arquivou uma representação contra ele em 2014.
Royalties
Como argumento para sustentar que não estaria favorecendo as mineradoras, Quintão afirma que manteve no seu relatório a elevação da cobrança de royalties (um tipo de tributo) sobre a produção mineral proposta pelo governo. No caso do minério de ferro, a alíquota passaria do atual patamar de 2% para 4%.
Os royalties são vistos como uma importante fonte de compensação para reduzir impactos da atividade e permitir que as cidades afetadas invistam no desenvolvimento de outras atividades econômicas, reduzindo a dependência da mineração.
Fonte:       http://noticias.terra.com.br/brasil/desastre-em-mariana-foi-acidente-ou-crime-e-precipitado-avaliar-diz-ministro,f03c9b86fbd83d4b11575492c6ccfc91okbhbjc0.html


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