segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Aula 13/2018 - Um país sem memória




TEXTO 1 – Fato motivador - Luzia: a vítima mais preciosa do incêndio no Museu Nacional
Entre 11 mil e 8 mil anos atrás, as grutas de pedra calcária que se espalham pela região do atual município de Lagoa Santa, a cerca de 50 quilômetros de Belo Horizonte, eram frequentadas por uma gente muito especial. A mais famosa representante desse grupo é a mulher apelidada de Luzia, cujo crânio foi descoberto na década de 1970 e que é considerada o mais antigo habitante do continente americano. O fóssil foi consumido pelas chamas que tomaram o Museu Nacional na noite de ontem. “A gente não vai ter mais Luzia. Ela morreu no incêndio”, disse Kátia Bogéa, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, ao jornal O Estado de S. Paulo.
Trata-se de uma perda descomunal, pois, para os pesquisadores brasileiros que estudam Luzia e sua “família”, não restam dúvidas: eles eram representantes de um povo ancestral que chegou à América do Sul antes dos antepassados dos índios atuais.
As pistas sobre as características únicas desses “paleoíndios” de Lagoa Santa, como são conhecidos, estão em seus crânios, dezenas dos quais já foram encontrados no município mineiro. A análise detalhada do formato da cabeça de Luzia e companhia e sua comparação com os crânios de outros povos do mundo inteiro sugerem que eles são muito mais parecidos com os de aborígenes australianos, de habitantes da Melanésia e mesmo com os dos africanos modernos. Seriam negros, portanto. Por outro lado, os indígenas brasileiros de hoje são geneticamente bem mais próximos dos povos do nordeste da Ásia, como os grupos nativos da Sibéria.
Isso significa que os primeiros seres humanos a caminhar por aqui se aventuraram numa jornada épica pelo mar, atravessando o Atlântico (se vindos da África) ou o Pacífico (se saídos da Austrália)? Provavelmente não, afirmam os cientistas que defendem o caráter único do povo de Luzia. O mais provável, segundo essa corrente, é que os paleoíndios de Lagoa Santa sejam descendentes de populações que compartilhavam ancestrais comuns com os aborígenes da Austrália, mas que acabaram migrando rumo ao norte da Ásia e chegando ao continente americano pelo estreito de Bering. Só depois de se espalharem pelas Américas é que eles teriam chegado a Lagoa Santa.

TEXTO 2– Um país sem memória comete os mesmos erros
Fernando Collor, Renan Calheiros e Dilma Rousseff durante cerimônia de chegada a Brasília dos restos mortais do presidente João Goulart, em novembro de 2013.

Um extraterrestre que estudasse a história recente do Brasil não entenderia a foto dos senadores Lindbergh Farias e Fernando Collor juntos e sorrindo. Tampouco a dos prefeitos Fernando Haddad e Paulo Maluf também juntos e se abraçando. Mas se estudasse a mente do brasileiro descobriria que o espaço reservado para a memória é reduzido e ele(a) só percebe o que está acontecendo agora ou no máximo ontem. O que ocorreu semana passada? Só consultando a agenda. Os sete a um a favor da Alemanha? Um passado bem distante já desindexado em nossa memória. Alguém prometendo que não mexeria nos direitos trabalhistas nem que a vaca tossisse? Quem foi mesmo?
Como a memória é curta, esquecemos, relevamos e não aprendemos com o passado.
TEXTO 3– Incêndio do Museu Nacional é vitória da intolerância e morte do conhecimento
Na noite de domingo, 2 de setembro, na Quinta da Boa Vista, o cenário era de perplexidade diante da dimensão catastrófica do incêndio do Museu Nacional. A polícia tentava barrar pessoas indignadas que vinham oferecer seus braços para remediar a tragédia, alguns professores, estudantes e funcionários montaram vigília e estavam lá estarrecidos ao verem seus trabalhos de vida ardendo em chamas.
Bombeiros chegavam impotentes. Poucos jatos de agua cortavam a fumaça caindo nas brasas, numa falta evidente de planejamento para uma tragédia dessa dimensão que poderia ocorrer – descaso não dos bombeiros que estavam lá trabalhando, mas daqueles que construíram de forma objetiva a “falta de condições”.
As chamas cresciam, e dava para ver voar pela força do vapor matérias físicas, misturadas com a fumaça: não deixava de pensar o que estava sendo destruído ali, uma tese, uma dissertação, uma flauta indígena, um cocar, uma planta rara coletada há 200 anos? Na vigília, era terrível ver as expressões de sofrimento de quem tinha em mente exatamente o que estava sendo consumido.
Os primeiros andares estavam em brasa fumegante, a torre esquerda queimando incessantemente com chamas fortes saindo pelas janelas, quando pouco depois explodiu em chamas ainda maiores a torre direita. O fogo se alastrava rápido. A pouca água que jorrava da mangueira de um caminhão dos bombeiros era um fio inofensivo nesse cenário. E eram poucos caminhões, poucos bombeiros, poucos recursos diante de uma catástrofe gigantesca.
No ar, um misto de tristeza profunda e revolta. Raiva, indignação. Alguns estudantes e pesquisadores ali na frente do Museu, ora choravam, ora expressavam raiva pura diante desse crime premeditado: o incêndio é um crime contra a história do Brasil, contra a luta por direitos, contra a ciência que poderia produzir um conhecimento para uma vida melhor, ajudar a combater as mudanças climáticas, a mudar nosso modo de se relacionar com o planeta e a deixar o mundo habitável para as futuras gerações, e menos desigual, menos injusto. Um epistemicídio anunciado, que caminha ao lado do genocídio em marcha. Um projeto de país que se funda na destruição.
O fogo no Museu Nacional é uma das maiores tragédias da humanidade - sim, muito além do Brasil -, é como a queima da Biblioteca de Alexandria da história do Brasil, da história da fauna, da flora, da história dos povos indígenas, da colonização... É uma destruição de memórias, de livros, de peças, de artefatos, de áudios, de imagens, de fósseis que sobreviveram a milhares de anos, de vidas inteiras dedicadas a pesquisa, de conhecimento acumulado para a humanidade, um acervo imprescindível para as futuras gerações. Mataram o conhecimento e, nesse sentido, provocaram um epistemicídio.
Ainda que não exista até o momento a determinação das causas do incêndio, certamente as condições para que ele ocorresse de forma tão devastadoras é sim um crime. E ao mesmo tempo, reflexo do País que nos tornamos, um país bruto, insensível, ignorante, desigual, autoritário.
Agora, o governo anuncia postumamente que havia fechado um acordo com o BNDES de cerca de 20 milhões de reais para a infraestrutura básica — enquanto isso, ali do lado do Museu Nacional, era transtornador ver o Estádio do Maracanã que recebeu mais de um bilhão poucos anos atrás. Há um descompasso tremendo.
E não foram apenas peças do acervo do Museu Nacional que foram corroídas: havia milhares de peças de outros museus e centros de pesquisas, como, por exemplo, cabeças esculpidas pelo povo mundurucu, que pertenciam ao Museu Paraense Emílio Goeldi e haviam sido emprestadas para uma exposição há cerca de cem anos. Era um museu verdadeiramente nacional.



TEXTO 4– “Um povo sem memória é um povo sem história”
A frase que intitula este texto é muito usada por professores para dar aquele “puxão de orelhas” nos alunos que desconhecem, por absoluta falta de incentivo, ou de interesse, a história do país. E este é um assunto preocupante, porque hoje em dia estamos perdendo a referência do que é o Brasil. Há uma legião de jovens brasileiros, nascidos nas décadas de 80 e 90, totalmente desinformados sobre os fatos que, anos atrás, ocorreram em terras tupiniquins.
Por exemplo, conversando com colegas dias desses, me assustei ao saber que poucos deles sabiam da existência de uma ditadura civil-militar que governou o país por mais de duas décadas. E o pior, me horrorizei ao descobrir que muitos desconheciam o nome do primeiro presidente a sofrer um processo de impeachment (cassação/impugnação do mandato). E isso foi em 1992; fez 20 anos! Além disso, os nomes que sucederam Fernando Collor na Presidência da República (Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso), não soaram familiares aos ouvidos dos participantes da conversa.
Mas eles são culpados por não conhecerem os ex-presidentes ou o regime que governou o Brasil de 1964 à 1985? Eu os isento, em parte, desta culpa. Se Jean-Jacques Rousseau já dizia há séculos atrás que o ser humano é fruto do meio em que ele vive, o “meio” em que vivemos hoje é propício à alienação e a apatia dos seus membros. Diferentemente dos nossos pais, avós, bisavós; a cultura do instantâneo, do desapego, é a tendência da atualidade. Seja ela nas preferências musicais, nos relacionamentos… E porque não seria na memória histórica? Esse é um dos “Xis” da questão. Somos bombardeados diariamente com milhares de informações de todos os tipos, plataformas, e, no entanto, absorvemos o mínimo deste conteúdo ao qual somos expostos.
Outra possível resposta está na educação. Sim, a da escola. Aquela de base que, infelizmente, é precária no país. Desde a infância aprendemos o método da “decoreba”. Está tática, além de ser esquecida com o tempo, disfarça o aprendizado e o torna desinteressante e desestimulante. E isso se reflete na fase adulta, potencializada pela política educacional de formar profissionais extremamente técnicos, mas com dificuldades de raciocinar sobre os problemas sociais existentes nos país, fruto de processos históricos passados.
Diante deste cenário ficam as perguntas: A falta de interesse beneficia a quem? Para onde vamos sem não há um referencial? As respostas para essas perguntas devem ser debatidas pela sociedade, e não somente por meia dúzia de parlamentares (sei que é o dever deles, já que são eleitos pelo povo), ou oligopólios de comunicação. É muito bonito ver um político bater no peito e dizer que o Brasil de hoje é democrático. Politicamente pode ser que sim, mas estamos muito longe de viver uma democracia social. Igualdade esta que muitos brasileiros lutaram para conseguir, e, infelizmente morreram no caminho. Para sermos Nação forte no futuro, precisamos necessariamente entender o nosso passado.

TEXTO 5 – Em 2017, mais brasileiros foram ao Louvre, em Paris, do que ao Museu Nacional
O Museu Nacional registrou 192 mil visitantes em 2017, segundo informou a assessoria de imprensa da instituição à BBC News Brasil.
No mesmo período, 289 mil brasileiros passaram pelo Louvre, em Paris, na França, uma das principais instituições de arte do mundo, segundo registros do próprio museu.
O Louvre teve um aumento de 82% do número de visitantes do Brasil no ano passado em relação a 2016. Foi o segundo maior crescimento de público de um determinado país - os russos lideram com 92%.
O museu foi fundado em 6 de agosto de 1818 por Dom João 6º e é o mais antigo do país - havia acabado de completar 200 anos.
Também era uma importante instituição científica, administrada atualmente pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Tinha um dos mais ricos acervos de antropologia e história natural da América Latina, com mais de 20 milhões de itens.
Muitos deles eram exemplares únicos, como fósseis humanos e de dinossauros, múmias e utensílios de civilizações antigas.
Os 192 mil visitantes que o Museu Nacioanal teve em 2017 significaram um aumento de 60% em relação ao ano anterior, quando 120 mil pessoas passaram por ali.
A título de comparação, o Museu Imperial, em Petrópolis, recebeu 400 mil visitantes no ano passado, mais que o dobro.
"O acervo era confuso e pouco didático, entregue aos maus cuidados de funcionários e curadores burocráticos, sem inspiração e entusiasmo. Nunca foi, de fato, um museu bem amado."



TEXTO 6 – Estão querendo transformar o Museu Nacional, de 2018, no Reichstag alemão de 1933
Por: Reinaldo Azevedo
É claro que é preciso investigar se o desastre no Museu Nacional não foi criminoso. E é claro que é preciso tomar cuidado com teorias conspiratórias. Não estamos, não ainda, na Alemanha de 1933, e o museu não é o nosso Reichstag. E o Rio não é Berlim. Tanto a extrema-direita e seus militantes das cervejarias do meretrício intelectual como a extrema-esquerda e sua hipocrisia militante deveriam ter um pouco de pudor. Mas não têm. Ou não seriam quem são.
Sim, claro! Fogo e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) têm, nos últimos dois anos, uma intimidade que é digna de nota. No dia 3 de outubro de 2016, um incêndio de grandes proporções atingiu o oitavo andar do prédio da reitoria da universidade na Ilha do Fundão. No dia 16 de maio de 2017, outro, desta feita no campus da Praia Vermelha. O fogo, que começou na capela do Palácio Universitário, se estendeu para o Fórum de Ciência e Cultura e a Faculdade de Educação. Pouco tempo depois, no dia 2 de agosto de 2017, mais chamas, aí nos alojamentos, também na Ilha do Fundão. Agora. o desastre dos desastres no Museu Nacional. Também ele está sob a gestão da UFRJ.
Digamos que tudo o que as esquerdas estão a propagar nos alto-falantes das redes sociais fosse verdade e que, como afirmaram Manuela D’Ávila e Gleisi Hoffmann, a culpa recaísse sobre os ombros largos do governo, como é mesmo?, “golpista” de Temer. Ainda assim, cabe a pergunta: seria a única instituição a sofrer em razão do chamado “teto de gastos”? E as outras centenas de instituições federais, então, submetidas às mesmas dificuldades? Ignorar que há um problema, quando menos, de gestão na instituição é fazer o jogo do contente.
O prédio estava num estado lamentável. Obviamente, a deterioração não é fruto dos dois anos de governo Temer. Na verdade, essa gestão tomou as providências para tirar o museu do atoleiro. Mas o fogo veio antes. Em junho, por ocasião da celebração dos 200 anos do museu, celebrou-se um contrato com o BNDES, que prevê o repasse de R$ 21 milhões para a instituição. A primeira parcela, de R$ 3 milhões, seria — ou será vamos ver — liberada no mês que vem.
As redes sociais, como sempre, estimuladas por pistoleiros dos dois lados, recende a moralismo putrefato e de fachada e caça às bruxas. Sim, é verdade: o reitor da UFRJ, o sr. Roberto Leher, é filiado ao PSOL. Sua vice, Denise Fernandes Lopez, também pertence ao partido. Outros membros da cúpula da UFRJ são ligados à legenda. A informação circula freneticamente por aí. Muito bem! Isso quer dizer o quê? Será que o PSOL sai incendiando as coisas para jogar a culpa no governo Temer? Por que não pode ser o contrário?  A extrema-direita poria fogo em bens públicos sob a gestão do PSOL para culpar a esquerda?
Na Alemanha de fevereiro de 1933, os nazistas ganharam a narrativa. A culpa recaiu sobre um grupo de militantes comunistas estrangeiros. Hitler chegara ao poder no dia 30 de janeiro, havia menos de um mês. De tal sorte o incêndio do Parlamento servia à causa nazista que se levantou a suspeita óbvia: eles próprios haviam provocado a tragédia para preparar o caminho do golpe. Até hoje, não há nada de conclusivo a respeito.
Fonte:     http://www3.redetv.uol.com.br/blog/reinaldo/estao-querendo-transformar-o-museu-nacional-de-2018-no-reichstag-alemao-de-1933-idiotias-opostas-se-combinam-na-esgotosfera-militante/

Aula 12/2018 - Movimentos Migratórios




TEXTO 1 – Comitê para Migrações repudia agressões a venezuelanos
O Comitê para Migrações de Roraima (Comirr) emitiu nota nesta segunda-feira (20) repudiando os atos violentos ocorridos em Pacaraima no último sábado (18). A rede de instituições da sociedade civil que trabalha na assistência a estrangeiros defendeu a dignidade, o direito de acolhida dos imigrantes e a humanização das medidas adotadas pelas autoridades.
“Em consonância com a Defensoria Pública da União, entendemos que a prática desses atos violentos contra cidadãos estrangeiros em vulnerabilidade, além de serem tipificados na legislação penal nacional, ocasionam o consequente retorno forçado ao país do qual saíram pela grave e generalizada violação de direitos humanos”, diz a nota.
No sábado, um grupo de brasileiros de Pacaraima agrediu refugiados venezuelanos com paus e pedras, depois que um comerciante local foi assaltado, supostamente por um imigrante venezuelano. Na confusão, foi ateado fogo nos pertences e acampamentos montados provisoriamente para venezuelanos.
O Comitê considera tímida a resposta do governo federal à crise com o programa de interiorização e criticou as tentativas de fechamento da fronteira pelo governo de Roraima. Para o Comitê, os pedidos para restringir a circulação dos imigrantes “alimenta o discurso xenofóbico de parte da população local” e contribui para “o acirramento da tensão social e disseminação de discursos de ódio”.
O Comirr ainda qualifica como irresponsável, populista e inconstitucional a forma como autoridades de diferentes níveis da federação têm atuado na adoção de medidas que acabam disseminando discriminação. A entidade reitera a defesa do Estado Democrático de Direito e afirmou que espera que o Ministério Público fiscalize o fato o mais rápido possível e que governo federal priorize o reforço dos serviços públicos e de interiorização dos imigrantes.

TEXTO 2– Venezuela, inflação bolivariana
Quem apresentou o resumo mais recente e ilustrativo da tragédia venezuelana foi o Fundo Monetário Internacional (FMI): o país não encerrará 2018 com uma inflação de 13 mil por cento, como se previa em abril, mas sim de 1 milhão por cento.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (23/07), pouco depois de a oposição tachar de traumático e inútil o processo de reconversão monetária programado para 4 de agosto pelo governo de Nicolás Maduro. Eliminar cinco zeros da moeda nacional, o bolívar, não dará fim à hiperinflação, se o regime não mudar o paradigma econômico que a propicia.
Em 2008, o antecessor de Maduro, Hugo Chávez, aprovou uma reconversão monetária, cortando três zeros do bolívar, a fim de facilitar as transações cotidianas para a população. Uma década atrás, contudo, a inflação era de 30%.
Agora, o homem forte em Caracas pretende fazer o mesmo no ápice da desvalorização, com o dólar valendo 3,5 milhões de bolívares no mercado negro; com escassez de divisas para financiar a impressão e entrega das cédulas (estima-se que a empreitada custe em torno de 300 milhões de dólares); e sem um plano anti-inflacionário. Um esforço em vão.
Assim como a inflação incontrolável, todos esses problemas são sequelas diretas ou indiretas dos desequilíbrios acarretados pelo modelo econômico chavista. O oficialismo se esquiva da própria responsabilidade ao insistir que sua incapacidade de atender às demandas da população se deve a conspirações do empresariado. Este supostamente deixaria de produzir os bens e os armazenaria para especular com os preços, a fim de fomentar o contrabando de combustíveis e agravar a inflação.
O governo mente quando atribui a atual crise à queda de preços do petróleo: a escassez de alimentos e remédios, que já se registrava com o barril a 100 dólares, não acontece em nenhum outro país exportador do combustível fóssil. Maduro alega que as sanções internacionais impostas a funcionários chavistas – acusados de corrupção em grande escala e violações dos direitos humanos – são a causa dos apertos de que os venezuelanos padecem.
Contudo, a verdadeira origem das calamidades que castigam a nação com as maiores reservas comprovadas de petróleo cru está no disparatado dogma econômico de Chávez, o qual Maduro perpetua.
TEXTO 3– A crise dos imigrantes: cenários na Europa e no Brasil
Um dos assuntos mais discutidos nos jornais durante as últimas semanas tem sido a questão dos imigrantes na Europa. Esse debate envolve problemas éticos, sociais, humanos, até mesmo econômicos.
A crise migratória
Todos os anos, milhares de pessoas fogem de seus países para escapar de cenários extremos – como guerras, fome e repressão. Em geral, o principal destino destes imigrantes são os países da Europa. Os motivos são a proximidade geográfica, e também uma visão de que a qualidade de vida na Europa é a melhor do mundo.
Origens mais comuns
Na crise atual, a maioria dos imigrantes vêm da Síria, Afeganistão, Iraque, Líbia e Eritréia. Estes países, localizados na região do Oriente Médio, sofrem com conflitos armados (internos ou externos) há muitos anos.
Destinos mais comuns
Entre os muitos países da Europa, alguns são os “preferidos” dos imigrantes. Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Grécia recebem a maior quantidade de clandestinos. A Líbia, por exemplo, está em crise política desde a Primavera Árabe em 2011. O Iraque passa por uma disputa entre sunitas e xiitas desde 2003, quando Saddam Hussein foi executado.
Problemas da Imigração Ilegal
A imigração é, na maioria, dos casos ilegal. Esse cenário implica em problemas sérios para os dois lados – tanto para os imigrantes quanto para os países que os recebem.
Os refugiados pagam altos valores pela travessia clandestina, e muitas vezes morrem pelo caminho ou são deportados ao chegar. É uma tentativa de obter uma vida melhor, porém sem garantia nenhuma de sucesso.
Ao chegar ao país desejado, não têm nenhuma estrutura de suporte – financeiro e passam por situações de humilhação e segregação social. Em geral, precisam aceitar trabalhos degradantes para sobreviver. Não têm direito nenhum à assistência do governo em educação, saúde ou segurança, pois não são considerados cidadãos do país.
Alguns dos países que recebem essas massas de imigrantes enfrentam sérias crises econômicas. É claro que a imigração não é a causa primária, porém, ela colabora para que a economia fragilizada (que já não consegue prover nem mesmo as necessidades da população legalizada) entre em colapso. Falta trabalho, a renda e a qualidade de vida começam a cair. E os cidadãos culpam os imigrantes, com argumentos de que estes ocupam seus empregos e não pagam impostos. E, assim, aos poucos, vai se alimentando ainda mais o sentimento xenofóbico.
A situação no Brasil
Na verdade, o Brasil ainda é considerado um país atrasado e, por esse motivo, não é atraente para imigrantes (legais ou ilegais). Além disso, também é um dos países que impõem mais dificuldades para os imigrantes – tanto em termos de burocracia quanto em termos culturais.
O resultado é que, enquanto a média internacional de imigrantes é de 3% em relação à população total de cada país, no Brasil essa média cai para 0.3%. Em outras palavras, dos 200 milhões de pessoas que vivem no Brasil, apenas uns 600 mil são estrangeiros.
Atualmente, os legisladores estão trabalhando em modernizar as leis de imigração – por exemplo, com a Lei da Cidadania e a nova Lei de Estrangeiros. Mesmo assim, ainda há muitos entraves para quem deseja se estabelecer no Brasil – por exemplo, a exigência de revalidação dos diplomas. Hoje em dia, os diplomas de muitas entidades internacionais não são aceitos e é preciso que sejam revalidados por universidades brasileiras.
Portanto, o Brasil está muito longe de vivenciar uma crise de imigração. Na verdade, em nosso país o Governo está justamente trabalhando no sentido oposto: em transformar o país em um lugar atrativo para os estrangeiros. O foco, é claro, são os imigrantes legais.



TEXTO 4– Fluxo migratório de venezuelanos é idêntico ao do Mediterrâneo, diz OIM
O fluxo de migrantes venezuelanos em direção às cidades colombianas e brasileiras já se assemelha ao fluxo mensal de migrantes que cruzaram o mar Mediterrâneo em direção às ilhas italianas no auge da crise. O alerta é de Joel Millman, porta-voz da Organização Internacional de Migrações (OIM). “Fomos informados de um fluxo de 40 mil pessoas por mês cruzando a fronteira para a Colômbia”, disse. “Isso é quase o equivalente ao que vimos no auge da crise na Europa, em 2015, no sul da Itália”, explicou. “Trata-se de uma emergência diferente”, armou Millman.“Acompanhamos de perto a situação com atenção”, disse o porta-voz da OIM.
Dados sociais da organização revelam que a Itália, uma das principais portas para a Europa, recebeu 155 mil estrangeiros em 2015 e 181 mil em 2016. Praticamente todos eles partiram de portos líbios ou da Tunísia. No auge da crise de refugiados, a passagem entre a Turquia e a Grécia chegou a registrar cerca de 1 milhão de pessoas. Mas a rota foi fechada por um acordo entre a Europa e o governo de Ancara. Em 2017, a OIM estima que 186 mil pessoas entraram no continente europeu pelas rotas marítimas, principalmente pela Itália.
No caso sul-americano, os dados da entidade Migración Colômbia apontam que 470 mil venezuelanos entraram no país vizinho em 2017. Ao final do ano passado, existiam cerca de 202 mil cidadãos venezuelanos vivendo de forma irregular na Colômbia. “Em alguns dos meses, já vemos um fluxo maior de venezuelanos para a Colômbia que o total mensal que a Itália recebe do norte da África”, aponta Millman.
Existem, porém, duas classificações no que se refere ao fluxo de pessoas. Aqueles que consideram que estão fugindo de perseguição ou repressão, podem pedir asilo. Um número bem mais elevado, porém, se refere a pessoas que deixam seus países de origem por conta da pobreza, o que não caracterizaria uma condição de refugiado. Nesse caso, são classificados como ‘migrantes econômicos’

TEXTO 5 – O problema não é recente
Deputado de Roraima alerta para situação crítica no estado com a chegada de imigrantes venezuelanos
Deputado de Roraima alerta para situação crítica com a chegada de imigrantes venezuelanos ao estado e sugere o fechamento da fronteira. Uma comissão de ministros do governo federal foi a Roraima nesta quinta-feira (8), onde se encontrou com autoridades na Base Aérea de Boa Vista. Estimativas apontam que cerca de 40 mil venezuelanos moram atualmente em Boa Vista, o que representa 12% da população. Segundo a Polícia Federal, só no ano passado 16 mil imigrantes da Venezuela entraram com pedido de refúgio em Roraima.
Os refugiados chegam ao país principalmente pela cidade fronteiriça de Pacaraima, fugindo da crise desencadeada por fatores como queda do preço do petróleo, alta da inflação e escassez de alimentos.
De acordo com o deputado Remídio Monai (PR-RR) o estado não tem mais condições de receber os refugiados. Ele sugere o fechamento temporário da fronteira, e pede que o governo federal redistribua os refugiados.
"40 mil pessoas, a nível de Brasil, que tem 200 milhões de habitantes, não são praticamente nada, mas quando você coloca 40 - e nós achamos que aqui tem umas 70 mil pessoas numa cidade de 300 mil habitantes - as praças estão tomadas, os hospitais estão tomados, então virou o caos a cidade. Nós propomos ao presidente que ele fechasse a fronteira provisoriamente e buscasse uma solução para esse problema", destacou.
Lei de Migração
O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) relatou na Câmara a nova Lei de Migração (13.445/17), que prevê, entre outros pontos, a garantia dos direitos dos migrantes em condição de igualdade com os nacionais. Ele discorda da ideia de fechamento de fronteiras.
"Eu considero um absurdo, eu considero que é uma proposta xenófoba, que deveria ser excluída da mesa. Nós assistimos na Europa alguns países que tentaram fechar as suas fronteiras. Primeiro, que só aumenta a crise, porque você vai ter uma barreira de contenção, vai continuar tendo um fluxo de pessoas para a região de fronteira, vai se criar um ambiente de tensionamento muito forte e na prática isso não vai acontecer", avaliou.
Para Orlando Silva, a solução para o problema precisa ser negociada com países amigos da Venezuela, como Colômbia e Brasil, de forma a garantir os direitos dos migrantes sem sacrificar a população brasileira.



TEXTO 6 – "Esse sentimento de xenofobia já estava ali"
Um dos principais especialistas brasileiros em migrações, o coordenador da cátedra Sergio Vieira de Mello da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Gustavo da Frota Simões, explica como o atual aumento da tensão na fronteira já era esperado, diante da resposta lenta do governo brasileiro ao problema e com a recente judicialização do tema.
Como está a situação com o aumento da tensão na fronteira?
O escalonamento dessa onda xenofóbica era algo que, infelizmente, estava previsto. Há uma grande crise na resposta ao fluxo migratório venezuelano. Esse gerenciamento insuficiente tem causado uma série de questões. Algum tempo atrás, o governo do Estado emitiu um decreto inconstitucional pedindo, entre outras coisas, o fechamento de fronteiras. Um juiz da Vara Federal aqui de Roraima concedeu o fechamento, e não durou mais do que 17 horas até que a liminar fosse cassada pelo TRF. Com essas notícias circulando, aumentou muito a insegurança dos imigrantes. Se eram de 300 a 400 pessoas por dia cruzando a fronteira, esse número dobrou. Muitas dessas pessoas não conseguiram ter seus pedidos processados na região da fronteira. Há todo um aparato governamental, do Exército, do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), de organismos internacionais, para fazer esse processamento dos pedidos. Como não se conseguiu atender a todas essas pessoas, muitas acabaram ficando em moradias improvisadas, em situação de rua, em barracas ao redor da cidade e do centro de triagem em Pacaraima. Toda essa insegurança e o fechamento de fronteiras aumentou o fluxo migratório nas últimas semanas.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Aula 11/2018 - O preço da beleza




TEXTO 1 – A pátria das plásticas
Ultrapassamos os Estados Unidos em número de cirurgias plásticas feitas em 2013! Foram 1,49 milhão de procedimentos aqui na nossa pátria amada, quase 13% de todas as cirurgias plásticas feitas no mundo inteiro no ano passado. Bastante coisa, não?
E a maior parte foi feita por elas: quase 90% dos procedimentos estéticos foram realizados em mulheres (87,2%). Aqui contam procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos, como aplicação de botox, por exemplo. Depois das brasileiras e americanas, entram no ranking das cirurgias plásticas as mexicanas e as alemãs.
Não surpreendente, as cirurgias para aumentar e para levantar as mamas, a lipoaspiração e a cirurgia de abdome. Vamos ver um pouco mais sobre cada uma:
Mastoplastia de aumento: a famosa cirurgia que aumenta o volume das mamas com o uso de próteses de silicone.
Lipoaspiração: essa cirurgia também caiu no gosto dos brasileiros e retira a gordura corporal, em geral da barriga, costas, coxas e pernas melhorando o contorno corporal.
Mastopexia: é a cirurgia plástica que “levanta” as mamas com a retirada de excesso de pele e reposicionamento da aréola, compondo um novo contorno mamário.
Abdominoplastia: para quem quer um abdome bem definido, o procedimento retira o excesso de pele e de gordura da região. Ele também ajuda a reforçar os músculos abdominais, dando-lhes firmeza.
Todos esses dados mostram que pessoas que querem melhorar alguma coisa em seu corpo estão procurando a cirurgia plástica para isso. Fico feliz que a área esteja se consagrando cada vez mais no Brasil e que mais e mais as pessoas estejam tendo informações e acesso a ela. Mas eu acho que é importante comentar sobre segurança. Lembre sempre que é preciso tomar alguns cuidados para o sonho não virar pesadelo. O primeiro passo é a escolha do cirurgião plástico. Sempre opte por um profissional que seja especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Sempre!

TEXTO 2– Paciente de Dr. Bumbum morreu de embolia pulmonar, confirma laudo
Um laudo do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro confirmou que embolia pulmonar —obstrução em artérias do pulmão— foi a causa da morte de Lilian Calixto, 46. A bancária morreu no último dia 15 após realizar um procedimento estético com o médico Denis César Barros Furtado, conhecido como Dr. Bumbum (https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/07/medicoconhecido-como-dr-bumbum-e-preso-no-rio-de-janeiro.shtml).
O perito apontou que havia micro partículas espalhadas pelo pulmão da paciente, impedindo a oxigenação do sangue, segundo a TV Globo. O laudo também indicou quadro de choque, com falência de órgãos como fígado e rim.
O médico, que não tem registro para atuar no Rio nem formação em cirurgia plástica, já havia admitido em depoimento à polícia que havia injetado cerca de 300 ml de um produto chamado PMMA (polimetilmetacrilato, derivado do acrílico) no glúteo da paciente.
De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o PMMA pode ser usado para corrigir rugas e restaurar pequenos volumes perdidos de tecidos com o envelhecimento, mas em pequenas quantidades.
Nem a SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) nem a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) recomendam o uso do produto para fins
TEXTO 3– Entenda as mudanças de padrão de beleza ao longo da história
Em cada época é fácil identificar o apreço generalizado por um ou outro tipo físico, dos corpos roliços aos mais secos, das barriguinhas pronunciadas aos abdomens tanquinho, dos seios minúsculos aos bustos siliconados. Mas, se hoje qualquer pessoa é dona de seu nariz para decidir se quer frequentar a academia ou viver feliz acima do peso, houve tempos em que ninguém era responsável pelo próprio corpo. Por milênios, a forma física era colocada a serviço de propósitos sociais, militares ou religiosos.
“Na Pré-História, o corpo era arma de sobrevivência, a fim de caçar e correr dos predadores, mas nas primeiras civilizações, os treinos e as atividades sempre estiveram voltados a necessidades coletivas, como guerrear”, diz Denise Bernuzzi de Sant’Anna, professora de história da PUC-SP, autora dos livros Corpos de Passagem e Políticas do Corpo. Em outros períodos, a religião moldou a visão coletiva das questões relativas ao corpo. “Como o corpo era considerado sagrado, a Igreja proibia dissecações e estudos de cadáveres”, diz Luís Ferla, professor de história da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Só entre os séculos 15 e 16 despontou uma nova perspectiva, mais individualizada. Um processo que perdura e se radicaliza até hoje.

PRÉ-HISTÓRIA
A vênus paleolítica
1200 a. C.
As primeiras academias
SÉCULO I
Mente sã em corpo são
IDADE MÉDIA
Mergulho nas trevas
1450
O redescobrimento da anatomia
RENASCIMENTO
Das virgens às Vênus
1500
O homem nu
1900
O pai da musculação
1920
O sex-appeal
1940
Hollywood
1960
A mulher-violão
1970
O andrógino
1980
Mister Músculos
1990
Supermodelos
ANOS 2010
Os reis do octógono


TEXTO 4– Namorada de Ken Humano decide fazer plástica no rosto para se tornar a Susi Humana
Jennifer Pamplona seguirá os passos do namorado, Celso Santebañes, o Ken Humano. A jovem decidiu passar por cirurgias plásticas no rosto, maxilar e nariz para se tornar a Susi Humana.
"O Ken sempre me chamou de Susi. Quando eu era mais nova meus amigos do colégio também chamavam. Eu tenho a cabeça grande e o formato da boca bem similar ao da boneca. Não quero nada muito exagerado, vou fazer uma leve cirurgia no nariz e maxilar no próximo sábado [9]”, detalhou ao “Ego”.
A ex-estilista de Andressa Urach revelou que está apreensiva com as mudanças. “Nunca fiz nada no rosto, vai ser a primeira vez e estou muito ansiosa. Eu pedi ao médico Felipe Tozaki para que ele me deixe bem parecida com a Susi e ele disse que vai ser fácil, pois já sou parecida."
Jennifer, no entanto, não se submeterá a procedimentos para reduzir o peso e ficar mais parecida com a boneca. "Nos últimos meses fiz uma dieta sem lactose e já perdi quatro quilos. Decidi ficar mais magra. Estou muito feliz com essa decisão e com as mudanças no meu corpo. O Ken me apoia em tudo."

TEXTO 5 – A vaidade que destrói
O drama da apresentadora Andressa Urach, que estva na UTI em função de um procedimento estético malsucedido, mostra os riscos de buscar a beleza a qualquer custo.
Até a sexta-feira 5, a apresentadora Andressa Urach, 27 anos, permanecia na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre. Ela estava no hospital havia seis dias, internada para tratar complicações surgidas por causa da colocação de uma substância na forma hidrogel para aumentar as coxas. O produto vem sendo utilizado de maneira incorreta em procedimentos estéticos como a que Andressa se submeteu e é, já há algum tempo, um dos alvos de maior preocupação dos médicos. Entre outras ameaças à saúde, pode provocar infecções, cegueira e até a morte. “Ele é extremamente nocivo. É uma bomba relógio que uma hora ou outra irá explodir”, afirma João de Moraes Prado Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC).
Andressa sentia dores na região desde março. Em julho, submeteu-se à primeira cirurgia para a retirada do produto colocado há cinco anos. Seis dias depois, a apresentadora foi internada em São Paulo, com febre. Ela estava com uma inflamação decorrente dos resíduos do hidrogel que permaneciam em seu organismo. De lá para cá, seu estado foi piorando, até culminar na internação na UTI. Semanas antes de o drama da apresentadora ser divulgado, o País já havia conhecido uma tragédia fatal, dessa vez em Goiânia.
Maria e Andressa são as vítimas mais recentes de uma espécie de submundo do mercado da beleza que persiste no País. Uma zona nebulosa, em que compostos químicos são misturados de forma indevida ou ilegal e sem o mínimo de preparo por profissionais irresponsáveis ou golpistas de ocasião. Esta combinação compõe uma teia que escapa à fiscalização e atrai jovens dispostas a tudo para obter formas consideradas perfeitas. E, de preferência, a um custo mais baixo do que o desembolsado em clínicas que atuam de maneira correta e dispõem dos produtos apropriados.


TEXTO 6 – Mulher morre ao tentar aumentar as medidas
A clínica estética onde a paciente Maria José Medrado de Souza Brandão, 39 anos, fez uma aplicação de hidrogel, localizada no Setor Parque das Laranjeiras, em Goiânia, foi interditada, na tarde desta terça-feira (28), por tempo indeterminado. Segundo a Vigilância Sanitária Municipal, o estabelecimento não tinha a documentação necessária para funcionar. A Polícia Civil investiga o caso.
A mulher morreu em um hospital da capital, um dia após passar pelo procedimento realizado por uma suposta biomédica. "A clínica de estética se encontrava irregular porque não possuía alvará sanitário, necessário para a realização de procedimentos do tipo dos que foram realizados aqui. Por isso, foi feita a interdição da clínica", afirmou Dagoberto Costa, chefe da Divisão de Fiscalização em Saúde da Vigilância Sanitária.
Maria morreu na madrugada de sábado (25) com suspeita de embolia pulmonar, após ser internada no Hospital Jardim América. Segundo a família, ela tinha passado pelo mesmo procedimento duas semanas antes de morrer, mas não gostou do resultado e voltou para fazer uma correção. Na segunda aplicação, ela passou mal e acabou falecendo após ir para o hospital.

TEXTO 7 - Cinderela Frankenstein
Entre todos os setores do mercado de moda e beleza, o que tem se desenvolvido de forma mais radical é o das transformações corporais cirúrgicas. Esse desenvolvimento não diz respeito apenas às inovações tecnológicas do ramo, bastante significativas, mas principalmente ao comportamento das pessoas que buscam esse tipo de intervenção.
Uma comparação inicial faz entender melhor a mudança que está ocorrendo. Desde os anos 90, com a ascensão, auge e quase normalização dos implantes de seios siliconados (que foram se tornando menos exagerados, imitando o formato “natural” da anatomia humana), a indústria de roupas sofreu adaptações. Sutiãs, biquínis e até mesmo decotes foram modificados levando em conta a nova geração de consumidoras  e seus contornos. Ou seja, a opção pela cirurgia teve reflexo numa certa gama de produtos.
Porém, o que se observa agora é o crescimento de um movimento inverso: cirurgias feitas para adaptar o corpo a produtos que já existem no mercado. É claro que esse movimento já existia. A lipoaspiração estética, a lipoescultura, talvez seja sua melhor tradução: a pessoa retira o excesso de peso para adquirir um tamanho e formato de corpo que melhor se adapte aos padrões vigentes de beleza, elegância etc.

TEXTO 8 – Cirurgias entre jovens
Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica mostra que procedimentos mais comuns procurados por jovens são lipoaspiração e implante de silicone nas mamas; aumento foi maior também na comparação com o total de operações entre adultos. O número de cirurgias plásticas em adolescentes entre 14 e 18 anos mais do que dobrou em quatro anos ­ saltou de 37.740 procedimentos em 2008 para 91.100 em 2012 (141% a mais), segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).
No mesmo período, o número total de plásticas em adultos subiu 38,6% (saindo de 591.260 para 819.900 procedimentos) ­ o que significa que as cirurgias no público jovem cresceram em um ritmo 3,5 vezes maior. Além de estar num crescimento acelerado, a participação de jovens no total de cirurgias (911 mil procedimentos), também cresceu: saltou de 6% em 2008 para 10% em 2012.
O Brasil é o segundo País do mundo em número de cirurgias plásticas ­ fica atrás apenas dos Estados Unidos. A lipoaspiração é a cirurgia mais feita (foram 211 mil procedimentos só em 2011), seguida do implante de silicone nas mamas. A regra vale tanto para adultos quanto para adolescentes. Nos meninos, os procedimentos mais procurados são a ginecomastia (redução das mamas que crescem demais) e a cirurgia para corrigir a orelha de abano.
Segundo dados da SBCP, nessa época do ano ­ inverno associado às férias escolares ­ a procura pelas cirurgias aumenta em média 60%. "Isso acontece porque o frio torna o pós­operatório mais confortável, favorecendo a recuperação mais rápida. Além disso, é recomendado não tomar sol após a cirurgia para evitar manchas", diz o cirurgião Gustavo Tilmann.
De acordo com o cirurgião José Horácio Aboudib, presidente da SBCP, não existe uma norma que defina qual a idade mínima para se submeter à cirurgia plástica. "Não há idade mínima, cada caso tem de ser avaliado separadamente. A idade não é o mais importante. O mais importante é avaliar a evolução física do paciente", diz.

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