domingo, 14 de outubro de 2018

Aula 17/2018 - Nova revolta da vacina?




TEXTO 1 – Fato motivador - Grupos contrários à vacinação avançam no país; movimento preocupa Ministério da Saúde
Embora o Brasil tenha um dos mais reconhecidos programas públicos de vacinação do mundo, com os principais imunizantes disponíveis a todos gratuitamente, vêm ganhando força no país grupos que se recusam a vacinar os filhos ou a si próprios.
Esses movimentos estão sendo apontados como um dos principais fatores responsáveis por um recente surto de sarampo na Europa, onde mais de 7 mil pessoas já foram contaminadas. No Brasil, os grupos são impulsionados por meio de páginas temáticas no Facebook que divulgam, sem base científica, supostos efeitos colaterais das vacinas.
O avanço desses movimentos já preocupa o Ministério da Saúde, que observa queda no índice de cobertura de alguns imunizantes oferecidos no Sistema Único de Saúde (SUS). No ano passado, por exemplo, a cobertura da segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, teve adesão de apenas 76,7% do público-alvo.
"Isso preocupa e causa um alerta para nós porque são doenças imunopreveníveis, que podem voltar a circular se a cobertura vacinal cair, principalmente em um contexto em que temos muitos deslocamentos entre diferentes países", diz João Paulo Toledo, diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, que ressalta que todas as vacinas oferecidas no País são seguras.
A disseminação de informações contra as vacinas ocorre principalmente em grupos de pais nas redes sociais. O Estadão encontrou no Facebook cinco deles, reunindo mais de 13,2 mil pessoas. Nesses espaços, os pais compartilham notícias publicadas em blogs, a maioria de outros países e em inglês, sobre as supostas reações às vacinas --por exemplo, relacionando-as ao autismo.

TEXTO 2– Movimento antivacina gera surto de doenças nos EUA
Surtos de doenças como sarampo, caxumba ou coqueluche costumam ser associados a países pobres da África ou da Ásia, onde grande parte da população não tem acesso a vacinação e cuidados médicos.
No entanto, nos últimos anos essas doenças vêm ressurgindo com força nos EUA. Somente no ano passado, foram registrados mais de 24 mil casos de coqueluche no país, segundo dados preliminares do Centers for Disease Control and Prevention (Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças, ou CDC, na sigla em inglês), ligado ao Departamento de Saúde dos EUA.
No ano anterior, o número chegou a 48,2 mil, o maior desde 1955. Em 2013, o país registrou ainda 438 casos de caxumba e 189 de sarampo, todas doenças que podem ser prevenidas por vacinas existentes há vários anos.
"No caso da coqueluche, parte dos surtos parece estar ligada ao problema de que a vacina mais amplamente usada não é tão eficaz quanto costumava ser. Mas os casos de caxumba e, especialmente, sarampo, acho que estão relacionados ao movimento antivacina", disse à BBC Brasil a especialista em saúde global Laurie Garrett, do Council on Foreign Relations (CFR).
"Os níveis de vacinação na Grã-Bretanha para doenças como sarampo, caxumba e rubéola vêm despencando. Há comunidades inteiras em que a cobertura está abaixo de 50%. No caso de uma doença tão contagiosa como o sarampo, qualquer nível abaixo de 90% é perigoso", diz Garrett.
Autismo
O movimento antivacina ganhou força a partir de 1998, quando o pesquisador britânico Andrew Wakefield publicou um estudo que relacionava a vacina Tríplice Viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) ao autismo.
Diversas pesquisas posteriores nunca acharam qualquer ligação entre a vacina e o autismo, e em 2010 uma comissão de ética descobriu que Wakefield havia falsificado dados de seu estudo. Wakefield teve sua licença médica cassada e o estudo foi retirado das publicações.
Mas apesar do descrédito do estudo e de seu autor, a teoria se espalhou, com a ajuda da internet, entre pais temerosos de que a vacina pudesse causar problemas a seus filhos.
Número de vacinas
Fisher diz que seu objetivo não é convencer pais a não vacinarem seus filhos, mas lutar pelo direito à informação.
"Queremos educar as pessoas para que entendam sobre os riscos de complicações das vacinas, para que possam tomar decisões bem informadas", disse Fisher à BBC Brasil.
Assim como outros adeptos do movimento, Fisher reclama do poder da indústria farmacêutica e do número de vacinas recomendadas pelo governo americano.
"Esse número triplicou nos últimos 30 anos. Em 1982, eram 23 doses de sete diferentes vacinas até os seis anos de idade. Hoje, o governo recomenda 69 doses de 16 vacinas até os 18 anos", afirma.
As crianças americanas são obrigadas a apresentarem comprovante de vacinação para ingressar na escola. Mas todos os 50 Estados do país permitem isenções médicas, para crianças que, por motivos de saúde, não podem ser vacinadas.
Perfil
"Estudos mostram que muitas crianças não vacinadas têm pais com altos níveis de educação e renda", disse à BBC Brasil a epidemiologista Allison Fisher, do CDC.
Uma análise das áreas onde ocorrem os surtos também dá dicas sobre o perfil das famílias que optam por não vacinar seus filhos.
"Se nosso mapa interativo englobasse os anos 1950, veríamos que, naquela época, os surtos estavam associados à falta de infraestrutura para levar as vacinas às crianças pobres", diz Garrett.
"Isso não ocorre mais. Atualmente o governo federal dos EUA e a maioria dos governos estaduais têm programas de vacinação muito fortes nas comunidades carentes e áreas rurais", afirma.
"Hoje, os surtos nos EUA ocorrem entre populações mais ricas. E isso tem relação com comunidades em que há maior pressão política para acabar com as exigências de vacinação para crianças na escola", diz Garrett.
Riscos
Segundo Allison Fisher, do CDC, como certas doenças não eram vistas havia muito tempo nos EUA, alguns pais simplesmente pensam que elas não existem mais.
"Tentamos chegar aos pais e profissionais de saúde e reforçar que a decisão de não vacinar traz riscos", diz.
Garrett observa que, antes da introdução das vacinas, doenças como sarampo estavam entre as principais causas de morte de crianças nos EUA.
"É imperdoável que hoje em dia, em um país como os EUA, uma criança pegue sarampo", afirma.
"A ironia é que você volta aos EUA e ouve todas essas pessoas dizendo: 'Não queremos vacinas'."
TEXTO 3– 'Festas da catapora' são populares nos EUA
Comuns até meados dos anos 1990, antes da introdução da vacina, as chamadas "Festas da Catapora" continuam a ganhar adeptos nos EUA. Auxiliados pela internet, pais de todos os cantos do país trocam informações sobre como colocar seus filhos em contato com crianças infectadas pelo vírus causador da catapora – ou varicela (Varicela-Zóster).
O objetivo é tentar fazer com que os filhos contraiam uma doença que, acreditam, se manifesta de forma bem mais branda em crianças do que em adultos, e fiquem assim imunizados para o resto da vida.
Para muitos pais, expor os filhos à doença "naturalmente" é menos arriscado do que optar pela vacina.
"Somos um grupo nacional de pais unidos no apoio ao vírus da catapora na infância em vez da vacina", diz a apresentação da página Pox Party USA, no Facebook.
Na página, uma das várias dedicadas ao tema na rede social, integrantes trocam dicas sobre as "Festas da Catapora" mais próximas de onde moram e debatem prós e contras da vacina e de contrair a doença.
"Este é um grupo para indivíduos/famílias que, por diversos motivos pessoais, preferem a exposição natural à catapora do que a vacina contra a varicela", afirma outro grupo, Chicken Pox Parties – Southeast US.
Pirulitos
Além do temor de que a vacina possa provocar efeitos colaterais graves – o que, segundo especialistas, não tem comprovação científica –, alguns pais questionam sua eficácia. O Centers for Disease Control and Prevention (Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças, ou CDC, na sigla em inglês), agência ligada ao Departamento de Saúde dos EUA, afirma que a eficácia da vacina é de 98%.
Mas o fato de serem recomendadas duas doses – a primeira dos 12 aos 15 meses e a segunda dos quatro aos seis anos de idade – provoca desconfiança em certos pais, que acham mais seguro garantir a imunidade contraindo a doença.
Há inclusive os que recorrem a outros métodos, como enviar ou receber pelo correio pirulitos lambidos ou roupas usadas por crianças infectadas.
A prática ganhou as manchetes há cerca de dois anos, quando autoridades tiveram de alertar que quem enviasse materiais do tipo pelo correio estaria infringindo a lei e sujeito a pena de prisão.
Riscos
"Alguns pais acham que a vacina contra varicela não é necessária, porque lembram que tiveram a doença quando crianças e, apesar do desconforto, ficaram bem", disse à BBC Brasil a epidemiologista Allison Fisher, do CDC.
"Acham que contrair a doença naturalmente é melhor que a vacina", afirma Fisher. "É nossa função alertá-los sobre os riscos de não vacinar."
Seja na forma de "Festas da Catapora" ou do compartilhamento de pirulitos, especialistas afirmam que expor as crianças ao vírus propositalmente é arriscado.
De acordo com o CDC, até o início dos anos 1990 a doença atingia uma média de 4 milhões de pessoas por ano nos EUA. Destas, entre 10,5 mil e 13 mil tinham de ser hospitalizadas e entre cem e 150 morriam a cada ano.


TEXTO 4– A nova revolta da vacina
Ao lado dos antibióticos, as vacinas estão entre as grandes conquistas da medicina. Desde que o médico britânico Edward Jenner decidiu inocular um garoto de sete anos com o conteúdo extraído de uma pústula de varíola, em 1796, e descobriu que isso garantia proteção contra a enfermidade, as doenças infecciosas passaram a figurar entre aquelas contra as quais a ciência finalmente possuía alguma forma de controle.
SURTOS CATASTRÓFICOS
A responsabilidade dos anti-vacina no recrudescimento no número de casos de doenças preveníveis voltou à discussão com o surto de sarampo enfrentado na Europa, com sete mil pessoas contaminadas, e em Minnesota, nos Estados Unidos. Desde abril, foram registrados por lá 69 casos da doença. Desses, 65 ocorreram em crianças que não foram imunizadas e um atingiu um bebê que havia recebido apenas uma das duas doses recomendadas.
POR QUE AS VACINAS SÃO IMPORTANTES
– Elas estão entre as principais conquistas da medicina, ao lado dos antibióticos
– Derrubaram o número de casos de doenças infecciosas graves e são responsáveis pela erradicação de outras, como a varíola
– Protegem o indivíduo e também a comunidade
COMO A CIÊNCIA RESPONDE AOS ARGUMENTOS DO MOVIMENTO ANTI-VACINA*
A imunidade natural seria superior à induzida pela vacina
Não é razoável pensar em expor as crianças à doenças como sarampo para que adquiram imunidade. Depois, as vacinas oferecem imunidade duradoura e eficiente, embora algumas precisem de reforço
Não há evidência cientificamente sustentável de que isso ocorra
Há presença de mercúrio, que poderia prejudicar o desenvolvimento
O metal é encontrado somente em frascos de múltiplas doses. E estudo do Centro de Controle de Doenças, com mais de 1000 crianças acompanhadas, não encontrou diferença neurológica, psicológica ou de desenvolvimento nas que receberam maiores quantidades de mercúrio
Elas enfraquecem o sistema imunológico
Algumas podem causar suspensão temporária de respostas imunes, mas elas são de curta duração e não aumentam risco de infecção por outros agentes infecciosos

TEXTO 5 – Desabafo contra o movimento anti-vacina
Uma mãe americana intensificou o debate entre os que são a favor e contra a obrigatoriedade da vacinação de crianças após postar no Facebook um desabafo sobre o perigo que sua filha, Ashley, correu ao ser exposta a uma criança com varicela, não vacinada. Ashley, de 11 anos, precisou realizar um transplante de rim quando tinha apenas 2 anos de idade, e isso a impede de tomar vacinas com vírus vivo, como é o caso da vacina contra varicela. Assim, basta uma pessoa aderir ao movimento antivacina e deixar de tomar as doses necessárias para que a menina fique ameaçada.
Por causa da exposição desnecessária à doença, Ashley foi parar na emergência. A mãe, a enfermeira Camille Echols, postou que tem visto na internet "memes pseudo-inteligentes questionando: 'por que meus filhos não vacinados seriam uma ameaça para seus filhos vacinados, se você tem tanta certeza de que eles funcionam?'". Em seguida, ela explicou que algumas crianças, como a própria filha, são imunodeprimidas e, caso se exponham ao vírus presente na vacina, não desenvolverão anticorpos, mas sim a própria doença.
"Ela chegou a tomar uma dose da vacina contra varicela, mas não conseguiu tomar a segunda porque ela estava imunossuprimida [por causa do transplante] e, em vez de desenvolver imunidade, ela teria contraído o vírus", afirmou Camille.
Sete dias depois de a criança dar entrada na emergência, ela está considerada saudável, sem sinal de ter contraído varicela. A mãe fez um post de agradecimento em suas redes sociais àqueles que desejaram sorte.

Aula 16/2018 - Geração de proveta




TEXTO 1 – Fato motivador - Brasileiras triplicam busca por congelamento de óvulos para adiar maternidade
Desde criança a publicitária Camila Alvarenga de Paula Pinto, hoje com 37 anos, alimenta uma certeza na vida: quer ser mãe. Ela tem como referência a sua própria mãe, Denise, que teve três filhos e ao mesmo tempo construiu uma carreira sólida e de sucesso. A diferença é que a mãe de Camila deu à luz aos 30 anos de idade, no auge da fertilidade, e a publicitária já está com 37 anos e ainda não pretende engravidar.
A alternativa para Camila adiar mais um pouco o sonho da maternidade foi congelar seus óvulos - técnica existente há mais de dez anos e cada vez mais comum diante das mudanças sociais e comportamentais das mulheres.
"Meu namorado entendeu e apoiou a minha decisão. Nós sempre conversamos sobre ter filhos, só não sabemos a hora ainda", diz ela. Camila conseguiu coletar 24 óvulos e 18, por terem qualidade, foram congelados.
Quem fiscaliza as clínicas de reprodução assistida no Brasil é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas a agência não possui números oficiais de óvulos congelados no país com o objetivo de prolongar a "janela de oportunidade" das mulheres para a maternidade.
Levantamento feito pela BBC News Brasil em seis clínicas de reprodução assistida em São Paulo e no Rio de Janeiro confirma essa tendência de aumento de casos de congelamento para preservar a fertilidade.
A Clínica Huntington, por exemplo, uma das maiores de São Paulo, praticamente triplicou o número de pacientes que congelaram seus óvulos em cinco anos: em 2012, 122 mulheres passaram pelo procedimento; em 2017 foram 353 - um salto de 189%.
O mesmo aumento foi verificado na clínica Fertility, também em São Paulo. Em 2013, 65 mulheres congelaram seus óvulos na unidade, contra 180 no ano passado, o que representa um aumento de 176% na procura pelo serviço.
Idade certa
Os especialistas em reprodução assistida recomendam que a mulher que pretende adiar a gravidez congele seus óvulos até os 35 anos, enquanto eles são mais novos e possuem mais qualidade.
Apesar disso, a idade média das mulheres que têm procurado o serviço gira em torno de 37,7 anos. "O ideal mesmo seria congelar esses óvulos antes dos 30 anos, mas nessa idade ninguém está pensando nisso ainda", afirma a médica Thaís Sanches Domingues Cury, da Clínica Huntington.
O principal problema de procurar a técnica mais tarde, explica Thaís, é ter de submeter a paciente a mais de um ciclo de coleta e o risco de os óvulos não terem mais a qualidade necessária. Os médicos sugerem congelar pelo menos 15 óvulos.
Produção independente
A estatística Rafaela*, de 40 anos, já tomou a decisão de ser mãe independentemente de ter um companheiro ao seu lado. Ela congelou seus óvulos em 2016, aos 38 anos, e mesmo depois de se submeter ao procedimento duas vezes, conseguiu coletar apenas quatro unidades de qualidade.
"Eu estava solteira e a idade biológica falou mais alto. Ou eu congelava naquele momento, ou não conseguiria ser mãe usando meu próprio material biológico", afirma.

TEXTO 2– Queda de nascimentos no Brasil desafia o equilíbrio da economia
Casada há 12 anos, a psicóloga Aline Rosa, de 34 anos, jamais pensou em ter filhos. “Nunca tive um desejo naturalizado e sou contra essa ideia que a mulher só se sente completa quando engravida”, explica. Ela confessa que é bastante cobrada nos espaços pelos quais transita e que a pergunta “quando vocês vão ter um filho?” é recorrente entre familiares, amigos e colegas de trabalho. “As pessoas têm muita dificuldade de aceitar, mas reitero sempre que foi uma escolha dos dois e que a construímos sem culpa. Nunca tivemos essa vontade de ter um bebê”, afirma. Assim como Aline e o marido, um número cada vez maior de casais brasileiros compartilham essa decisão.
Segundo pesquisa do IBGE, a proporção de famílias formadas por casais sem filhos cresceu 33% no Brasil entre 2004 e 2013. Ao longo desse período, houve queda de 13,7% na proporção dos casais com filhos (de 50,9% para 43,9%). Já o número de casais sem herdeiros cresceu de 14,6% para 19,4%. Em 2013, uma em cada cinco casais brasileiros não tinha filhos, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais 2014. Especialistas alertam, no entanto, que a consolidação dessa configuração familiar reduzida aliada ao crescimento da esperança de vida significará, em um futuro próximo, menos profissionais jovens no mercado de trabalho, mais custos com aposentadorias e um risco de queda no crescimento econômico.
Casais que optam por não ter filhos já representam uma em cada cinco famílias no Brasil
A tendência de queda no número da taxa de natalidade não é nova. O número de filhos por mulher vem se reduzindo desde a década de 1960, a exemplo do que ocorreu também em vários outros países. Se em 1970, as brasileiras tinham, em média, 5,8 filhos, hoje, esse número não chega a 2, taxa em que a população não se repõe. O número de nascimentos caiu 13,3% entre 2000 e 2012, quando a taxa de fecundidade foi de 1,77 filho por mulher, contra 2,29 em relação ao período anterior. Os motivos para essa diminuição são vários: maior escolarização, aumento do número de mulheres no mercado de trabalho, uso maior de contraceptivo, entre outros.
Com a população ativa menor e mais aposentados, o desafio será equilibrar as contas da Previdência e o mercado de trabalho, de acordo com Ivan Santana, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. “Atualmente, gastamos 10% do PIB com a aposentadoria, número parecido ao da Espanha e de Portugal que possuem uma população muito mais velha que a nossa. Algo tem que ser feito agora, senão vamos gastar cerca de 20% do PIB lá na frente. Precisamos de uma reforma da Previdência, mas como é um tema tratado de uma forma muito emotiva, nenhum presidente quer tocá-la",  explica Santana que ressalta que a economia informal também contribui para desequilibrar a conta da Previdência.
"Hoje um brasileiro vive mais ou menos 25 anos aposentando. Em 30 anos, podemos aumentar essa taxa para mais uma década. O jovem de hoje terá muito mais tempo aposentado”
 “Precisaremos de muito mais estrutura para eles”, afirma. Segundo a pesquisadora, a razão entre a população potencialmente inativa (0 a 14 anos e 65 ou mais de idade) e a ativa (15 a 64 anos de idade), chamada de razão de dependência vai atingir o seu valor máximo em 2022. “E, a partir de 2037, os idosos vão passar a depender mais da população ativa do que os jovens”, explica.

Falar em ecologia sem falar de demografia é piada. Limpar a atmosfera e não controlar a população é ideologia vazia.
Lorde Thanos
TEXTO 3– ONU aponta redução no crescimento da população mundial
Mulheres em todo o mundo estão optando por ter menos filhos, contradizendo previsões de que a população mundial chegaria a 10 bilhões no fim deste século, afirmou um estudo da ONU. Demógrafos de diversos países se reuniram na sede da ONU hoje para considerar a possibilidade de alterar essa estimativa para algo entre 8 bilhões e 9 bilhões, de acordo com reportagem da agência Associated Press.
Segundo o estudo, da Divisão de População da ONU, as implicações da alteração seriam enormes. Governos usam projeções populacionais para planejar desde políticas de Previdência Social até orçamentos de escolas, disse Joseph Chamie, diretor da agência.
Por décadas, especialistas presumiram que a população mundial, que hoje é de cerca de 6 bilhões de pessoas, chegaria a 10 bilhões até o fim do século 21. Mas, nas últimas décadas, houve um declínio dramático nas taxas de fecundidade (média de filhos por mulher) nos países em desenvolvimento que estavam impulsionando o crescimento.
Há 74 países no que a ONU chama de "grupo de fecundidade de nível intermediário", onde as mulheres têm entre 2,1 e 5 filhos.
O grupo abriga cerca de 43% da população mundial e inclui Brasil, Bangladesh, Egito, Índia, Indonésia, Irã, México e Filipinas _países que, segundo o estudo, podem atingir, até 2050, taxa de fecundidade de 1,85 filho por mulher.
Se o estudo estiver correto, a população mundial pode diminuir, ainda que não neste século. "Taxas de menos de dois filhos, como na Europa, significam que a população começa a declinar", disse Chamie. A fecundidade na Europa é de 1,34 filho por mulher.
Desde 1965, a fecundidade mundial diminuiu de 5 para 2,7.
Uma das principais causas do declínio seria a disseminação do uso de métodos contraceptivos. Agora que as mulheres têm os meios para limitar o tamanho de suas famílias, estão optando por fazê-lo, disse Chamie.
Além disso, muitas pessoas estão se mudando para cidades, diminuindo a necessidade de ter muitos filhos para trabalhar no campo. Declínio em taxas de mortalidade infantil e melhorias nos sistemas de assistência médica também teriam influência.
O Suriname tem a menor taxa de fecundidade entre os países intermediários, com 2,2 filhos por mulher, e a Guatemala e o Sudão, as mais altas, com uma média de 4,9 filhos por mulher. Segundo a ONU, a taxa brasileira entre 1995 e 2000 foi de 2,3 filhos por mulher.


TEXTO 4– Intolerância que leva a linchamentos
O crescimento da população global começou a diminuir de ritmo, segundo relatório da ONU sobre a marca de 7 bilhões de pessoas no planeta, mas as tendências de crescimento são diferentes em cada região. Enquanto a população da Europa tem uma taxa de fecundidade (média de filhos por mulher) de apenas 1,53 - o que indica envelhecimento e diminuição da população - na África a taxa de fertilidade chega a 4,64. Na América Latina a taxa é de 2,3; na América do Norte e na Ásia, de 2,03 e na Oceania, de 2,49.
Para lidar localmente com questões relativas ao tamanho e à idade geral da população, alguns países adotaram políticas que tentam se adaptar à demografia existente. Em alguns lugares, como na China, o governo defende que famílias não tenham mais de um filho. Enquanto em outros, como na Austrália, há um incentivo em forma de subsídios para que famílias tenham filhos e evitem uma diminuição maior da população.
Limites populacionais
O país com a segunda maior população do mundo, a Índia, foi um dos primeiros a desenvolver políticas de controle populacional, mas não tomou atitudes tão radicais quanto a China. O primeiro programa de planejamento familiar foi criado em 1952, e ficou conhecido como norma da pequena família, buscando a estabilidade da população, que atualmente tem mais de 1 bilhão de pessoas.
A política visou incentivar famílias a não terem mais de dois filhos e educar a população em relação a métodos contraceptivos. Em três décadas, a Índia conseguiu baixar a taxa de fecundidade de 6 para menos de 3 filhos por mulher
Incentivos
Enquanto governos com população em crescimento tentam evitar o excesso de crianças, países já com economia desenvolvida enfrentam o problema de diminuição da taxa de fecundidade e envelhecimento da população. Para isso, os governos oferecem subsídios que incentivam os pais a terem mais filhos.
A Austrália é um dos países que mais incentivam a reprodução e ajudam os casais a terem filhos. O Departamento de Assistência Familiar tem uma série de subsídios que ajudam famílias que têm filhos, biológicos ou mesmo adotados.
Entre as diferentes formas de apoio, há uma ajuda para famílias que já criam adolescentes, subsídio para que crianças estudem e, especialmente, um "bônus bebê" e licença maternidade paga.
O Bõnus bebê é uma série de 13 pagamentos quinzenais que o governo oferece para ajudar nos custos de criar um recém-nascido. O primeiro pagamento é equivalente a cerca de R$ 1.500 e os outros de mais de R$ 650. Já a licença maternidade paga oferece até 18 pagamentos semanais de cerca de R$ 1.000 para que os pais deixem o trabalho para cuidar da criança.
Os subsídios chegaram a aumentar em 14% o número de nascimentos ao longo da última década.
A França também oferece subsídios a fim de incentivar o nascimento de novas crianças e tentar evitar o envelhecimento da população. Ao longo da última década, o governo francês conseguiu aumentar a taxa de natalidade ao oferecer subsídios, longas licenças maternidades e cuidados gratuitos a crianças com menos de 3 anos.
Em 2006, uma lei passou a pagar o equivalente a quase R$ 1.800 por mês para mulheres que têm o terceiro filho - o dobro do que pagam para o segundo.
Na Alemanha, uma lei de 2007 passou a incentivar o aumento da taxa de fecundidade com subsídios para os pais. O objetivo também era evitar que a população envelheça demais.
O governo permite que adultos parem de trabalhar após terem filhos e recebam o equivalente a dois terços do salário que ganhavam por um ano (com o limite de cerca de R$ 4.000 por mês). A Suécia, a Estônia e a Escócia também têm leis que oferecem subsídios para que casais tenham filhos.

TEXTO 5 – Imigrantes contribuíram com 19% do aumento populacional do Brasil entre 1840 e 1940
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relata em seu Estatísticas do Século XX (2003)1 que, entre 1901 e 2000, a população brasileira saltou de 17,4 milhões para 169,6 milhões de pessoas, com 10% desse crescimento se devendo aos imigrantes. Ao mesmo tempo, o Produto Interno Bruto (PIB) do país multiplicou-se por cem, e o PIB per capita, por 12.
Ao longo do século 20, a população se tornou quase dez vezes maior: o Censo de 1900 registra mais de 17 milhões de residentes. Na primeira metade do século, a população triplicou, informou o IBGE – 51,9 milhões de residentes em 1950 –, enquanto que, na segunda metade, mais que triplicou. Em 2000, já éramos 169,5 milhões de pessoas, chegando em julho de 2014 a 202,7 milhões2.
Durante as quatro primeiras décadas do século 20, o crescimento natural da população brasileira – ou seja, o saldo entre nascimentos e mortes – era de 19 por mil, enquanto a contribuição da imigração no mesmo período pode ser estimada em 2 por mil, disse o IBGE. “Em outras palavras, 10% do crescimento populacional do período se deve à migração de estrangeiros que, na verdade, iniciou-se no século 19, após a abolição formal da escravatura e a decorrente carência de mão de obra agrícola”, diz um texto divulgado pelo IBGE.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Aula 15/2018 - Feminicídio



TEXTO 1 – Lei do Feminicídio - Lei 13.104, em 9 de março de 2015
Em março de 2015, a Lei do Feminicídio foi aprovada. Desde então, a morte de mulheres motivadas por questões de gênero passou a ser qualificada como crime hediondo. A medida visa também diminuir os casos de feminicídio no Brasil, um dos países que mais mata mulheres no mundo. Infelizmente, três anos após a criação da lei, as taxas só aumentaram.
De acordo com um levantamento realizado pelo G1, entre 2016 e 2017, rolou um aumento de 6,5% nos casos de feminicídio. Só no ano passado, foram 4.473 homicídios dolosos de mulheres no Brasil. O estado que mais mata por violência doméstica e questões de gênero é Mato Grosso. A falta de denúncias também preocupa e dificulta o cumprimento da lei.
O levantamento também descobriu que, em média, 12 mulheres são assassinadas por dia no país. Os criminosos? Homens que, muitas vezes, postam homenagens no Dia Internacional da Mulher e mandam flores para suas parceiras. Homens que não aceitam ser calados por mulheres.
Então, mais uma vez, só para reforçar, não adianta nada dar flores no dia 8 de março e nos ferir com espinhos nos outros 364 dias do ano.

TEXTO 2– Significado de Feminicídio
Feminicídio significa a perseguição e morte intencional de pessoas do sexo feminino, classificado como um crime hediondo no Brasil.
O feminicídio se configura quando é comprovada as causas do assassinato, devendo este ser exclusivamente por questões de gênero, ou seja, quando uma mulher é morta simplesmente por ser mulher.
Alguns estudiosos do tema alegam que o termo feminicídio se originou a partir da expressão "generocídio", que significa o assassinato massivo de um determinado tipo de gênero sexual.
De modo geral, o feminicídio pode ser considerado uma forma extrema de misoginia, ou seja, ódio e repulsa às mulheres ou contra tudo o que seja ligado ao feminino.
Agressões físicas e psicológicas, como abuso ou assédio sexual, estupro, escravidão sexual, tortura, mutilação genital, negação de alimentos e maternidade, espancamentos, entre outras formas de violência que gerem a morte da mulher, podem configurar o feminicídio.
O feminicídio pode ser classificado em três situações:
àFeminicídio íntimo: quando há uma relação de afeto ou de parentesco entre a vítima e o agressor;
àFeminicídio não íntimo: quando não há uma relação de afeto ou de parentesco entre a vítima e o agressor, mas o crime é caracterizado por haver violência ou abuso sexual;
àFeminicídio por conexão: quando uma mulher, na tentativa de intervir, é morta por um homem que desejava assassinar outra mulher;
De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nos últimos anos pelo menos 50 mil mulheres foram mortas no Brasil, sendo os assassinatos enquadrados como feminicídio. O estudo ainda aponta que 15 mulheres são assassinadas por dia no país, devido a violência por gênero.
Para tentar impedir os crimes contra as pessoas do sexo feminino, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, sancionou a Lei 13.104, em 9 de março de 2015, conhecida como a Lei do Feminicídio.
A lei altera o Código Penal (art.121 do Decreto Lei nº 2.848/40), incluindo o feminicídio como uma modalidade de homicídio qualificado, entrando no rol dos crimes hediondos.
A justificativa para a necessidade de uma lei especifica para os crimes relacionados ao gênero feminino, está no fato de 40% dos assassinatos de mulheres nos últimos anos serem cometidos dentro da própria casa das vítimas, muitas vezes por companheiros ou ex-companheiros.
Segundo o Código Penal Brasileiro, os crimes classificados como de homicídio qualificado são punidos com reclusão que pode variar de doze a trinta anos.
De acordo com o texto da lei do feminicídio, a pena do crime pode ser aumentada em 1/3 (um terço) até a metade caso tenha sido praticado sob algumas condições agravantes, como:
àDurante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto;
àContra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com deficiência;
àNa presença de descendente ou ascendente da vítima;
TEXTO 3– Entenda as mudanças de padrão de beleza ao longo da história
Em cada época é fácil identificar o apreço generalizado por um ou outro tipo físico, dos corpos roliços aos mais secos, das barriguinhas pronunciadas aos abdomens tanquinho, dos seios minúsculos aos bustos siliconados. Mas, se hoje qualquer pessoa é dona de seu nariz para decidir se quer frequentar a academia ou viver feliz acima do peso, houve tempos em que ninguém era responsável pelo próprio corpo. Por milênios, a forma física era colocada a serviço de propósitos sociais, militares ou religiosos.
“Na Pré-História, o corpo era arma de sobrevivência, a fim de caçar e correr dos predadores, mas nas primeiras civilizações, os treinos e as atividades sempre estiveram voltados a necessidades coletivas, como guerrear”, diz Denise Bernuzzi de Sant’Anna, professora de história da PUC-SP, autora dos livros Corpos de Passagem e Políticas do Corpo. Em outros períodos, a religião moldou a visão coletiva das questões relativas ao corpo. “Como o corpo era considerado sagrado, a Igreja proibia dissecações e estudos de cadáveres”, diz Luís Ferla, professor de história da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Só entre os séculos 15 e 16 despontou uma nova perspectiva, mais




TEXTO 4– Agosto Lilás: violência contra a mulher é assunto para todas!
Em agosto a Lei Maria da Penha, de 2006, faz aniversário e o tema da violência contra a mulher parece nunca ter sido tão atual. É por isso que foi criada a campanha Agosto Lilás, que defende, desde o ano passado, os direitos da mulher em situação de violência. O Brasil ocupa hoje o 5º lugar no mundo no ranking de violência doméstica e enquanto isso acontecer, o debate deve permanecer em pauta
Em agosto de 2018 a Lei Maria da Penha comemora 12 anos e é em função desta data que passou a existir, desde o ano passado, o Agosto Lilás, uma campanha de conscientização sobre a violência contra a mulher que envolve secretarias municipais e estaduais e, sobretudo, as escolas do país. O Brasil ocupa hoje o 5º lugar no mundo no ranking de violência doméstica e, de acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tramitam no Judiciário cerca de 900 mil processos sobre o tema, sendo 10 mil deles sobre casos de feminicídio (crime de morte envolvendo uma mulher pelo fato de ser mulher, uma questão de gênero). Segundo dados da Secretaria de Governo do governo Federal, 15 mulheres são mortas por dia pelo fato de serem mulher. Por ano, 500 mil mulheres são vítimas de estupro e estima-se que apenas 10% dos casos chegam à polícia. A união entre as mulheres é fundamental para reverter esse quadro.
A violência de gênero, ao contrário do que muita gente pensa, não tem a ver com classe social, religião, raça ou região do país – pelo contrário – casos desse tipo podem acontecer em qualquer lugar e camada social. Para acabar com esse tipo de crime, nada mais importante que a conscientização. Para Ana Paula do Couto Alves, diretora de organização político-sindical do Sindjustiça-RJ (Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário) "Quando acontece uma agressão ou feminicídio que poderia ter sido evitado com um telefonema para as autoridades, toda a sociedade falhou com aquela mulher. Esse é um tema complexo, que envolve afetividades, vida familiar e os limites individuais de cada um. Precisamos conversar sobre isso para entender como tornar o Brasil um país mais seguro e acolhedor para mulheres", afirmou ao site da instituição. Por isso, saber identificar uma violência, seja ela emocional ou física, é o primeiro passo para acabar com o problema.


TEXTO 5 – Infográfico

Fonte: https://cdn-images-1.medium.com/max/1600/0*DhJo33Z2kDEjGLWs.



TEXTO 6 – Jovem achada morta em matagal de Palmas é enterrada em SP: 'Não pode ser estatística'
"Você, Patrícia Aline, não pode ser mais uma nesta triste e vergonhosa estatística onde nossas mulheres são mortas por pura crueldade e covardia. (...) Morremos um pouco a cada dia, de tristeza, de desilusão, de impotência (...). Queremos só Justiça, mais mudança nesta lei que favorece e fortalece a impunidade", diz o texto do cartaz.
Depois do velório, o corpo de Patrícia Aline seguiu em procissão até o Cemitério Municipal. Os familiares e amigos da vítima acompanharam o cortejo. "Estamos todos muito chocados, a cidade inteira está chocada, não se fala em outra coisa. Eu conheci ela ainda menina, não é possível, eu não aceito que possa acontecer uma brutalidade dessas com um ser-humano", afirmou uma vizinha da família da vítima.
Principal suspeito do crime, o namorado da vítima, Iury Italu Mendanha, está sendo procurado pela Polícia Civil de Palmas. Na casa dele, os investigadores apreenderam duas espingardas. O delegado de homicídios de Palmas, Israel Andrade, disse na sexta-feira (10) que o jovem fugiu para outro estado. Ele reagiu mal ao fato de Patrícia querer o fim do relacionamento, de acordo com a investigação.
"Nós tentamos de todas as maneiras prendê-lo em flagrante, no entanto descobrimos que ele havia se evadido. Havia fugido inclusive para outro estado. Mais tarde ele entrou em contato com a família e ele se propôs a se entregar na delegacia, já que a prisão preventiva já estava decretada", disse o delegado.
'Queria viver independente'
A tia de Patrícia, Maria Amélia dos Santos, afirma que a família está arrasada e que a mãe da jovem não consegue se conformar com a perda da filha, que havia se mudado para o Tocantins para trabalhar.
“A família está sofrendo. A mãe está acabada, está chorando direto. A gente está com medo de ela não resistir a essa dor que está passando”, contou a tia. “Ela era uma pessoa que queria viver independente. Era alegre, humilde, muito carinhosa com a família toda”, completou.
Em um áudio enviado para amiga, Patrícia relata momentos de terror que viveu quando o namorado pulou o muro da casa dela e disse que ia matá-la.
Patrícia: Eu não quero mais. Uma que nós estamos brigando muito e outra que ele quer ficar me xingando, amiga, de vagabunda. E ele já avançou em mim duas vezes. Uma ele bateu na minha cara e a outra ele jogou o celular nos meus braços. Não quero uma pessoa que fica com esse ciúme obsessivo de amiga, de cachorro, de academia. Não tô aguentando mais não. Aí eu fui, larguei, ele foi e perdeu a cabeça. Saiu do serviço, foi direto pra minha casa e pulou o muro. Aí eu não quis abrir a porta pra ele, e ele foi e falou que ia me matar. Eu fui, liguei pra minha amiga, pedi ajuda e ela foi lá me buscar. Ele pegou e falou que ia atrás de uma arma, ia voltar e ia me matar.
Fonte:     https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2018/08/11/jovem-achada-morta-em-matagal-de-palmas-e-enterrada-em-sp-nao-pode-ser-estatistica.ghtml

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Aula 14/2018 - Intolerância





TEXTO 1 – Fato motivador - Atentado a candidato presidencial é algo que América Latina não via há 20 anos
A facada de que foi alvo o candidato presidencial Jair Bolsonaro (PSL) durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG) é um incidente perturbador porque "em nível presidencial, a violência não era parte da história brasileira e latino-americana havia anos, e isso mudou hoje", diz à BBC News Brasil o brasilianista Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quarterly e vice-presidente da Americas Society-Council of the Americas.
"Não víamos isso com candidatos a presidentes. Mesmo na América Latina, tem havido ausência de violência em nível presidencial há mais ou menos 20 anos, pelo menos nos países de grande porte", diz ele, lembrando dois casos que tiveram magnitude e repercussão globais:
- O ataque a tiros que resultou na morte de Luis Donaldo Colosio, candidato do então partido governista PRI (Partido Revolucionário Institucional) à Presidência do México em 1994. Um jovem de 23 anos está detido até hoje pelo crime, mas pessoas próximas a Colosio defendem até hoje que houve um complô para matar o candidato.

TEXTO 2– Ataque à caravana de Lula é investigado como disparo de arma de fogo com dano
O delegado da Polícia Civil Hélder Lauria disse nesta quarta-feira (28) que investiga o ataque à caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Paraná como disparo de arma de fogo com dano provocado.
Na terça, o delegado adjunto de Laranjeiras do Sul Fabiano Oliveira chegou a dizer que o caso estava sendo investigado como tentativa de homicídio, e que pelo menos dois suspeitos estariam envolvidos.
Ao G1, Lauria, que é titular da delegacia, negou as declarações do adjunto. Ele disse que as informações foram dadas de maneira desencontrada. "As informações são superficiais e não condizem com a realidade da investigação."
"Nós estamos tratando como disparo de arma de fogo e dano. Então, não estamos tratando como tentativa de homicídio por enquanto" - delegado Helder Lauria
O procurador de Justiça Olympio de Sá Sotto Maior Neto disse que determinados atos contra a caravana podem vir a ser qualificados como "tentativa de homicídio".
Ele citou o termo ao ser questionado nesta manhã sobre a diferença entre os episódios de violência recentes (os tiros, o arremesso de ovos e os ataques nas redes sociais). O procurador destacou que há tipos penais específicos para cada crime.
“Há tipos penais específicos em relação à incitação do crime e há muito disso nas redes sociais. Por outro lado, há a apologia dos crimes que já foram praticados. Há as ações concretas, direcionadas à prática de lesões corporais, quando se quer estourar os pneus de um ônibus. Pode, enfim, lesionar até a tentativa de homicídio porque os atos podem culminar com a morte de alguém, assumindo-se o risco, portanto, de produzir a morte”, explicou Sotto Maior Neto.

É possível compreender que o mal pode ser tão impecavelmente racional quanto a bondade.
Zygmunt Bauman
TEXTO 3– A intolerância e os crimes contra homossexuais
Episódios de agressões contra homossexuais foram destaque nos noticiários dos grandes jornais do país nos últimos dias. E não foram agressões leves, dessas que passam despercebidas no cotidiano. Foram casos que chegaram à tentativa de homicídio, somente pelo fato de as vítimas não terem a mesma orientação sexual dos seus agressores. A intolerância está à flor da pele nas grandes capitais.
O caso mais grave aconteceu no Rio de Janeiro, onde um militar atirou em um jovem, após tê-lo humilhado e ofendido apenas em função de sua homossexualidade. O militar será indiciado por tentativa de homicídio duplamente qualificado.
Outro episódio de violência ocorreu em São Paulo, onde um grupo de jovens, quase todos adolescentes, menores de idade, agrediram outros jovens na Avenida Paulista, palco da Parada Gay, simplesmente por não serem heterossexuais. A Polícia Civil está investigando se o que motivou o crime foi a homofobia, já que uma das vítimas foi chamada de bicha","gay e de outros termos discriminatórios. Se neste caso houver punição, ela será por agressão. Mas para tais punições pouco importa se elas se deram em razão de atos homofóbicos ou não. No entanto, não houvesse agressão ou tentativa de homicídio, a punição seria muito mais difícil já que no Brasil não é crime discriminar em razão de orientação sexual.
A punição dos agressores nos casos citados, em São Paulo e Rio de Janeiro, acontecerá, mas não atingirá real valor e a motivação dos crimes. Sabe-se que agredir ou atentar contra a vida de alguém é crime, mas que fazê-lo apenas em razão da intolerância é algo ainda pior. Pouco deveria importar a orientação sexual de cada um de nós perante a sociedade. E não tolerar a homossexualidade é tão grave quanto não tolerar o fato de uma pessoa ser de outra raça, nacionalidade ou qualquer outra coisa que a torne diferente de uma dita "maioria.



TEXTO 4– Intolerância que leva a linchamentos
Confundido com um ladrão em São Paulo, ele foi espancado e só conseguiu escapar depois de dar aula sobre Revolução Francesa a um dos bombeiros que o resgataram.
Da postagem no Facebook da foto de um adolescente negro acorrentado a um poste no Rio de Janeiro até a morte da dona-de-casa Fabiane Maria de Jesus no Guarujá, muitos são os casos de aprisionamentos, espancamentos coletivos e cenas bárbaras que já fizeram vítimas em quase todos os estados do país, contando apenas os noticiados – não há estatística criminal sobre linchamentos no Brasil.
Uma das vítimas foi o professor André, que dá aula de História para cerca de 230 alunos em uma escola pública na periferia da capital paulista.
Apontado como ladrão, acorrentado e brutalmente espancado por dezenas de pessoas, André relatou que o dono do bar assaltado já tinha mandado o filho buscar um facão quando os bombeiros chegaram.
Eu disse que era professor, que estava ali por acaso. Aí um dos bombeiros falou para dar uma aula sobre Revolução Francesa. Foi o que me salvou.” Só depois de explicar sobre a ascensão da burguesia é que o levaram ao hospital, diz. “Foi algo surreal. Só acreditamos quando chega próximo de nós. Aí você vê que é muito real mesmo, esse ódio das pessoas. Essa brutalidade do ser humano.”
Mesmo assim, foi preso e está em liberdade provisória, já que o dono do bar não retirou a queixa. “Eu estou bem melhor, mas a ferida na alma, a inocência, está perdida.
Fonte:     http://g1.globo.com/politica/dias-de-intolerancia/platb/#inicio – Adaptado
TEXTO 5 – Idosa é agredida por intolerância religiosa em Nova Iguaçu
A idosa Maria da Conceição Cerqueira da Silva, 65 anos, foi agredida a pedradas em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, na última sexta-feira. Segundo a família, ela foi vítima de intolerância religiosa por parte de uma vizinha que não aceita a regilião praticada por Maria, que é candomblecista.
Segundo a filha da idosa, Eliane Nascimento da Silva, de 42 anos, ao sair para ir no mercado, Maria ouviu sua vizinha gritar “lá vem essa velha macumbeira. Hoje eu acabo com ela”. Em seguida, ela foi acertada por uma pedra, que teria sido atirada pela vizinha, identificada apenas como Jéssica. A idosa teve ferimentos no rosto, na boca e no braço e foi levada para o Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI).
Ainda de acordo com Eliane, um grupo de vizinhos constantemente ofendem a ela, que é umbandista, e mãe por praticarem religiões de matriz africana.
“Engulo as ofensas calada. Mas, minha mãe não, ela enfrenta. Ela tem sangue nordestino, é uma idosa, semianalfabeta, e acaba revidando as agressões verbais. Só que o que fizeram com ela foi uma covardia”, disse Eliane.
A SEDHMI também colocou à disposição da vítima e de toda sua família, assistência jurídica psicológica e social, além de marcar um encontro elas nesta segunda-feira, às 13h30.
Casos de intolerância religiosa aumentaram
Segundo dados do Disque 100, as denúncias de casos de intolerância religiosa aumentaram em 119% em 2016 em relação a 2015. O número total de ocorrências chegam a 79.



Tolerância é um termo que vem do latim tolerare que significa "suportar" ou "aceitar". A tolerância é o ato de agir com condescendência e aceitação perante algo que não se quer ou que não se pode impedir. A tolerância é uma atitude fundamental para quem vive em sociedade.

TEXTO 6 – Estão querendo transformar o Museu Nacional, de 2018, no Reichstag alemão de 1933
Uma pesquisa realizada pelo blog Comunica que muda mostra a intolerância do brasileiro nas redes sociais. A pesquisa foi realizada pelo segundo ano consecutivo e mostra que, mesmo com um pequeno aumento de menções positivas nas redes sociais, as postagens relacionadas a certos temas ainda são, majoritariamente, negativas, ou seja, expõem intolerância, preconceito e discriminação. Foram analisadas postagens referentes a aparência, classe social, deficiência, homofobia, misoginia, política, idade/geração, racismo, religião e xenofobia.
O levantamento foi realizado nos meses de julho a setembro de 2017, através da plataforma Torabit, capturando e analisando um total de 215.907 menções. A grande maioria das postagens captadas foi da rede social Twitter, que representa mais de 98% do levantamento. O Instagram é a rede que vem na sequência, com 1,5%. Os pesquisadores tiveram dificuldade em analisar postagens da rede social Facebook, porque a maioria dos comentários está visível apenas para amigos de seus autores na rede, o que impede que boa parte dos comentários seja captada.
Separados por tipo de intolerância, os comentários captados foram classificados como negativos, quando eram preconceituosos ou reforçavam discursos de ódio; positivos, quando combatiam a intolerância; e neutros, quando não apresentavam um posicionamento claro de quem postava.
O estado que teve a maior quantidade de menções, somando os dez tipos de intolerância analisados, foi o estado do Rio de Janeiro, com mais de 37% do total. Em seguida, vieram São Paulo, com 18,4%; Minas Gerais, com 8,1%; e Rio Grande do Sul, com 4,5%. Os dois únicos tipos de intolerância nos quais o Rio de Janeiro não foi líder de menções foram xenofobia e política, em que São Paulo ficou com a maior quantidade de comentários.
Na pesquisa anterior, foram analisadas 542.781 menções. Entre elas, 97,6% das relacionadas a racismo tinham um teor negativo. Em seguida, vieram as menções negativas relacionadas a deficiência (93,4%).
Outra categorização realizada foi em visíveis ou invisíveis e reais ou abstratas. Na primeira análise, os comentários foram classificados como visíveis, quando a discriminação era explícita e direta, ou invisíveis, quando esse preconceito era mais velado, muitas vezes sem a intenção de ofender, ainda que fossem intolerantes. Nesse quesito, a maior parte das menções foi visível, ou seja, explícita, com 78,4% do total, enquanto os comentários invisíveis, com um preconceito velado, registraram 21,6%.
Para ter uma ideia, na pesquisa anterior 76% das menções sobre deficiência eram visíveis, ou seja, aquela que discrimina direta e explicitamente uma pessoa ou grupo de pessoas. E 24%, invisíveis, que é quando a discriminação aparece velada em algum comentário ou comportamento.
O crescimento das redes sociais nos últimos anos tornou mais evidente o problema da intolerância. De acordo com dados da ONG Safernet, apenas entre os anos de 2010 e 2013, aumentou em mais de 200% o número de denúncias contra páginas que divulgaram conteúdos racistas, misóginos, homofóbicos, xenofóbicos, neonazistas, de intolerância religiosa, entre outras formas de discriminação contra minorias em geral.
O relatório mostra que o mundo virtual se transformou em mais um meio disponível e muito acessível para que os intolerantes se manifestem, às vezes até mesmo incentivando a expressão desses preconceitos. Isso porque se a internet não criou a intolerância, ela a reproduz, aumenta seu alcance e ajuda a naturalizar e a conservar discursos de ódio.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/inde27062011.htm

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