domingo, 26 de outubro de 2014

Aula 24 - O jovem e a política


A participação política envolve a possibilidade de influenciar de forma efetiva as políticas locais, regionais, nacionais e internacionais. Calcada a partir da ação intencional para impactar na agenda pública, na participação legal do sistema representativo, a partir do voto, nas campanhas, nas eleições e na estrutura legislativa.
A participação política ocorre também, pela participação nas estruturas, atividades e no trabalho partidário, em grupos organizados e em manifestações orientadas a exercer influência na pauta dos atores políticos e institucionais dos governos.
É muito comum se ouvir comentários de que a juventude hoje não se interessa por política, que é uma geração apática, alienada e consumista que passa a maior parte do seu tempo na frente da TV.
Além disso, há inúmeras comparações da atual geração de jovens com aqueles que viveram os anos de ditadura no Brasil na década de 1960 e 1970. Com um tom de saudosismo se diz que a juventude já não é como antes, que saía às ruas para protestar contra a repressão do governo e se arriscava em associações clandestinas para lutar pela liberdade de expressão e pela democracia.

Aqueles que estão convencidos de que isso é verdade, podem se surpreender. Em novembro de 2005, o IBASE e o Instituto Polis lançaram o resultado da pesquisa Juventude Brasileira e Democracia: participação, esferas e políticas públicas que ajuda a desmistificar essa apatia da juventude.
Fonte: http://infojovem.org.br/infopedia/descubra-e-aprenda/participacao/participacao-politica/





TEXTOS DA AULA

Texto 1
Votar com consciência social, discernindo o que é melhor para o município, mas sobretudo votar com o coração, com a sensibilidade e o senso de justiça para enxergar o sofrimento dos pobres que mais precisam do serviço público.
Este é um direito e uma obrigação dos jovens que começam a participar, não apenas das eleições, mas também da organização de grupos e do debate sobre o futuro que queremos. Um debate que conta com as ideias e a ação de Renato Souza de Almeida.
Dizem que o jovem não gosta de política. Isto é verdade?
O jovem não é um sujeito isolado do restante da sociedade. E, de uma forma geral, toda a sociedade tem partilhado certa descrença na ação política. Num contexto histórico em que muitas pessoas estão desanimadas com a política, é evidente que muitos jovens também vão partilhar desse sentimento. No entanto o que é política? Nas últimas pesquisas realizadas com jovens sobre este tema é interessante notar que, ao falar de política, muitos afirmam que não gostam. Mas quando se trata do tema da participação social, a maioria acha que é muito importante. E participar não é um ato político? A palavra política está muito associada ao governo, ao partido... Se ampliarmos esta noção de política para a ideia de participação pública e coletiva, pode crer que muitos jovens não só gostam de política como têm um forte engajamento, maior inclusive que qualquer outro segmento social.

Texto 2
"A juventude está tão perdida que alguns dos meus amigos vão votar no candidato que acham menos pior", diz o estudante Lucas Araújo, de 18 anos, de Campina Grande (PB).
"As pessoas estão perdendo as esperanças. Prometeram muitas coisas nos protestos, mas nada aconteceu", escreveu o estudante Gabriel Maggiori, 18 anos, de São Paulo.
Essas são apenas algumas das opiniões de leitores jovens da BBC Brasil no Facebook sobre suas expectativas para as eleições presidenciais de outubro, o que poderia sugerir um cenário de descrédito das gerações mais novas com as instituições políticas do país. Mas o jovem realmente quer distância dos debates sobre o futuro político do Brasil?
Consultas recentes da BBC Brasil a seus leitores também revelaram o perfil de um jovem que, se por um lado está decepcionado com a classe política, se mostra confiante no processo eleitoral e disposto a assumir um papel de protagonismo na busca por novos meios para mudar a sociedade brasileira.
De olho na importância desta fatia do eleitorado - de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 16,1% dos 142,8 milhões de eleitores em 2014 têm entre 16 e 24 anos de idade - a BBC Brasil dedica uma semana de sua cobertura especial das eleições ao tema do jovem eleitor e a seus anseios e preocupações em relação ao futuro do país.

Texto 3
O que os jovens pensam sobre a política
Nas eleições de 5 de outubro, mais de 140 milhões de brasileiros estarão aptos a votar. Nesse universo, um terço dos eleitores – pouco mais de 45 milhões de pessoas – é formado por jovens entre 16 e 33 anos. Para entender melhor a cabeça política da juventude brasileira, quais suas demandas e de que maneira ela pode influenciar na corrida eleitoral, ISTOÉ destrinchou uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular com 3.500 jovens do País. O levantamento revela, entre outros dados interessantes, que essa turma, por ser mais informada do que seus pais e levar dinheiro para dentro de casa, contribuindo para o aumento da renda, forma opinião, influencia no voto da família e pode até decidir a eleição. A pesquisa não questiona em quem eles votariam. Mas mais de 50% deles se encontram entre os eleitores indecisos ou que pretendem anular o voto. O discurso, porém, carrega um viés de oposição. Como na maioria da população brasileira, o desejo de mudança está impregnado em 63% deles, que acreditam que o Brasil não está no rumo certo. Apesar disso, 72% desses brasileiros que têm entre 16 e 33 anos consideram ter melhorado de vida. Mas a juventude indica querer mais. “Eles querem serviços públicos de mais qualidade, maior conectividade, acessos livres a banda larga e a tecnologia de ponta. E não abrem mão da manutenção do poder de compra”, afirma o autor do estudo, o publicitário Renato Meirelles, presidente do Data Popular.

Texto 4
Gerações mais novas são frequentemente criticadas por manterem distância da participação política. Mas, às vésperas de mais uma eleição para escolher presidente, governadores, deputados e senadores, jovens ouvidos pela Agência Brasil contestam o rótulo de despolitizados. Eles definem sua relação com as questões públicas como um envolvimento que se afastou das vias tradicionais. Na visão deles, há uma desilusão com partidos e estruturas formais de poder, mas a juventude não está desengajada.
A estudante Marina Serra dos Santos, 17 anos, diz que o ativismo desvinculado de partidos políticos é válido. A jovem, que na internet utiliza o pseudônimo Marina Saint-Hills, marca presença nas redes sociais e mantém um blog onde compartilha conteúdos sobre sua visão de mundo e suas experiências. Marina é favorável a pequenas mudanças de atitude no cotidiano e destaca as ações apartidárias como uma tendência mundial.
“Na minha opinião, muitas pessoas não encontram representação [entre os partidos]. A juventude acordou, quer mudanças, mas não sabe identificar o que quer que mude. A política vai muito além do que está acontecendo na Esplanada [dos Ministérios]. Tem a corrupção em pequena escala, o 'jeitinho' brasileiro. [O apartidarismo] não é só característico das manifestações no Brasil. O Occupy [movimento Occupy Wall Street, iniciado nos Estados Unidos, contrário às distorções sociais, ganância e corrupção] era assim. A gente viu em junho [durante as manifestações] que não era só política [tradicional]. Tinha movimento LGBT [lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros e transexuais] e muitos outros”, comenta.

Texto 5
Para o Levante Popular da Juventude, reforma política é "crucial" para a participação do jovem na política. "Da forma como a política está sendo feita hoje, a juventude não consegue participar realmente", afirmou Beatriz Lourenço do Nascimento, integrante do movimento, ontem (29) durante o programa Seu Jornal, da TVT.
Beatriz lembra que durante as manifestações de junho do ano passado a juventude demonstrou a inconformação com a atuação política, mas não conseguiu achar um eixo central para a atuação de suas pautas. "Nós, do Levante, acreditamos muito na organização da juventude, em uma juventude organizada que tome às ruas, se organize nas universidades, nos bairros no campo, a sua maneira, como novos métodos", pontua.
A militante conta que a organização ajudou na construção do Plebiscito Popular por uma Reforma Política. "Compreendo que é preciso reformar o atual sistema político no sentido de que ele garanta representatividade e o fim de alguns problemas, como o financiamento privado de campanha", afirma.
Com relação a representação das mulheres, Beatriz aponta que elas são apenas 12% no Senado e 9% no Congresso Nacional. Negros são apenas 8,5% no Congresso. Para ela, essa situação demonstra uma disparidade na representação do sistema político brasileiro, pois mulheres são a maioria da população e mais de 50% é composta por negros e negras.

Texto 6
     

Texto 7
O cientista político Octaciano Nogueira afirma que o jovem de 16 ou 17 anos, ao votar, revela que tem real interesse pela política, já que vota voluntariamente. Segundo ele, o ato de votar tem muito a ver com informação, com nível de participação e com instrução, entre outros aspectos. Ele lembra que a população brasileira está crescendo e que, portanto, o eleitorado juvenil também está.
Sobre o interesse maior dos jovens de 16 e 17 anos em participar e votar nas eleições municipais do que nas nacionais (presidenciais), o professor ressalta que “o jovem está muito mais próximo de tudo o que se passa em sua cidade”, mostrando se identificar mais com um pleito local do que com um de caráter geral.
“Ele está interessado sobre tudo o que ocorre em sua cidade. Mas não necessariamente sobre o que se passa no resto do país. Essa é a tendência natural, porque o jovem participa mais da informação daquilo que diz respeito ao seu município, e, em proporção muito menor, daquilo que diz respeito ao resto do país”, diz Octaciano Nogueira.

Texto 8
A escuta atenta e aberta da juventude ainda não é uma prática enraizada na maior parte das instituições políticas e sociais. Da família à escola, das igrejas ao Estado, das mídias convencionais aos organismos internacionais, poucas delas são entusiastas da participação juvenil e a maioria dificulta o acesso dos e das jovens aos espaços onde são tomadas decisões que lhes dizem respeito. Quando mobilizada em frentes de participação social, cultural e política, a juventude lança sua voz na vida pública, pressiona os poderes instituídos, quer ser considerada, reivindica o seu direito à participação democrática. Mas muitos jovens desconfiam ou desacreditam dos canais formais e, frequentemente, preferem atuar fora deles. Para entender o fenômeno, quero situar como percebo alguns dos desafios para a participação juvenil na atualidade.
Um dos desafios esbarra nos limites das instituições participativas, em todos os setores sociais. No caso da juventude, os conselhos e as conferências estão entre as arenas mais relevantes de participação, consagradas na recente história democrática brasileira. Se, por um lado, o campo dos direitos juvenis se fortaleceu e avançou de forma inédita a partir do governo do presidente Lula, com a construção de uma política nacional de juventude, por outro lado, como é sabido, entre os discursos favoráveis à participação juvenil e a efetiva escuta dos e das jovens nas esferas institucionais há um abismo gigantesco, sobretudo nos cenários locais.
Fonte: http://forumdasjuventudes.org.br/participacao-social-e-politica-da-juventude/

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