domingo, 6 de março de 2016

Aula 03/2016 - Será que #vaitershortinhosim?


Reivindicação vazia ou reflexo de uma juventude engajada?






TEXTO 1 – FATO MOTIVADOR #vaitershortinhosim
Um grupo de alunas com idades entre 13 e 17 anos deu início a um movimento que contesta as regras de vestuário do Colégio Anchieta, um dos mais antigos de Porto Alegre. O abaixo-assinado nomeado “Vai ter shortinho, sim” é destinado a coordenadores e diretores, e foi lido por uma das autoras durante um ato que reuniu dezenas no intervalo do turno da manhã, nesta quarta-feira (24).
As alunas dizem que a instituição não permite o uso de shorts nas dependências da escola. “Eles falam que não é lugar de usar shortinho. Mas essa é a nossa roupa. A gente tem o direito de usar a roupa que a gente quiser”, observa Marina Stein, 14 anos.
Algumas relataram situações de constrangimento. “Tem vários casos de meninas que já foram retiradas da sala de aula, e pediram que elas vestissem uma calça de moletom ou que fossem para casa, porque com aquela roupa não dava para ficar”, acrescenta ela, que é estudante do 9º ano do Ensino Fundamental.
A petição online foi criada na tarde de terça (23) e já soma mais de 6 mil assinaturas, até a tarde desta quarta (24). No texto, as meninas pedem “que a instituição deixe no passado o machismo, a objetificação e sexualização dos corpos das alunas e a mentalidade de que cabe às mulheres a prevenção de assédios, abusos e estupros”.
“Já ouvi de alguns coordenadores de que é desconfortável que a gente use shorts porque os meninos ficam olhando. Mas isso é um pensamento machista. Não sei se é da própria escola ou não, mas é uma opinião machista”, sustenta Giulia Morschbacher, 15 anos, autora do texto. A cartilha da escola diz que as alunas devem vestir “blusa de manga, calça, bermuda, vestido ou saia”. “A bermuda tem que ser no joelho. Não pode regata, não pode nem chinelo”, reclama Chiara Paškulin, 16 anos, estudante do 2º ano do Ensino Médio.

TEXTO 2 – VAI TER SHORTINHO E JUVENTUDE ENGAJADA, SIM
Alunas do colégio Anchieta, em Porto Alegre, iniciaram uma petição destinada aos diretores da escola reivindicando o direito de usar shortinho nas dependências da instituição. No texto, elas defendem que “regras de vestuário reforçam a ideia de que assediar é da natureza do homem e que é responsabilidade das mulheres evitar esse tipo de humilhação”. 
O texto é um primor e vale a pena ser lido do começo ao fim. Garotas de 13 a 17 anos deram uma verdadeira aula de cidadania e mostraram que são super esclarecidas, politizadas e empoderadas. Elas dizem com todas as letras que a escola deve deixar o machismo no passado e ensinar os homens a não sexualizar as mulheres ao invés de impedir que as garotas usem uma peça de roupa.  “Nós somos adolescentes de 13-17 anos de idade. Se você está sexualizando o nosso corpo, você é o problema”, dizem elas. E as adolescentes não estão para brincadeira: na quarta-feira protestaram em massa usando regata preta e shortinho, dois itens proibidos para as meninas do colégio Anchieta.
A reivindicação é muito justa. Nossa sociedade ensina meninas a se preservarem do assédio masculino ao invés de ensinar os homens a não assediá-las. Seja proibindo o shortinho feminino na escola, seja banindo mulheres de equipes de trabalho “para não distrair os homens”. As mulheres são tradicionalmente vistas como objetos decorativos e responsáveis pela violência que as aflige.
Mas as coisas parecem estar mudando. A petição das alunas do colégio Anchieta me deixou arrepiada e sem palavras. As jovens têm uma atitude inspiradora e a maturidade de suas ideias impressiona muito.
Impressiona porque não estamos acostumadas a ver garotas tão conscientes da desigualdade de gênero desde tão cedo. A adolescência é um período complicado em que nós temos muitas dúvidas e questões com nossa aparência, nosso corpo e como o mundo nos vê. É uma fase em que criamos ideais quase sempre impossíveis para nós mesmas.

TEXTO 3 – CONHEÇA A GERAÇÃO Z: A GERAÇÃO MERTHIOLATE-QUE-NÃO-ARDE QUE NÃO TEM MAIS O QUE FAZER
A notícia que mais teve respaldo e gerou memes e discussões nas redes sociais (e, portanto, nos portais de notícia) a respeito da educação brasileira nesta semana: alunas do colégio Anchieta, um dos mais antigos (e caros) de Porto Alegre, fizeram uma mobilização, com ato, demonstração e petição online, pelo direito de usar shortinho quando forem para as aulas.
O colégio é gerido pela Igreja. Os pais de alunos (e os alunos que desejam ter aquela educação) assinam um contrato que prevê as normas de conduta do colégio. Todas as salas de aula possuem ar condicionado. Não mais que de repente, as alunas se revoltam com o código de vestimenta sugerido por 99 em cada 100 escolas e exigem um passe livre para se vestirem “como quiserem”. Dez meninos também aderiram à campanha, e fizeram também um ato de shortinho em apoio às meninas de shortinho, o que foi fato sobejante para nova notícia. Seu argumento era de que “Isso mostra que por trás de toda questão do shorts tem muitas outras, como a luta pela igualdade de gênero e os direitos das pessoas, em usar o que bem entenderem”. Não foram vistos meninos usando fio-dental no cofrinho em apoio às meninas, mas talvez não se deva esperar que isto não aconteça.
As moças das pernocas de fora ganharam o noticiário nacional. A merenda às vezes é comentada en passant. O resultado pífio em Português e Matemática, praticamente nunca. (LEIA NO LINK ABAIXO)
O evento das pernas, chamado de “Vai ter shortinho, sim”, disfarça pouco em sua página o seu viés político. O Canal da Direita mostrou que a principal articuladora do grupo faz parte do Juntos!, o “coletivo” de atuação pré-adolescente do PSOL, e atuou com afinco na campanha de Luciana Genro. Por que isto não surpreende ninguém, e por que há a necessidade de sempre haver um partido socialista em qualquer algazarra e ziriguidum por mero prazer neste país?
O linguajar do evento é de um pobrismo repapagaiador de todos os clichês que possam caber em um cartaz e num par de pernas juvenis. Fala-se, obviamente, em “machismo”, em “respeito” a roupas (um conceito difícil de ser trabalhado pela metafísica ocidental), em não culpar as mulheres por estupros, em dizer que se alguém deseja as pernas de uma mulher, é um pensamento “machista”.
Esta é a tal “geração Z”, de que falou recentemente a revista Veja em sua capa: uma geração que não tem mais o que fazer. Não tem contra o que lutar. Não lhes falta nada em suas economias. Não são sequer feios, pobres ou “oprimidos” e “explorados”. É uma geração tão almofadada pela civilização que até quando caía de bicicleta ao redor da piscina no condomínio era curada com Merthiolate que não arde.
Que heroísmo, que conquista individual, que missão e vocação podem ter estas pós-crianças? O melhor é apelar para abstrações de definições escorregadias como “machismo”, e ter como causa, como Leitmotiv da primeira fama da vida, uma briguinha para poder mostrar as pernas e xingar de machista o colégio católico em que estudam e seus pais pagam uma fortuna para tal.
A geração Z é uma vida a passeio. Uma vida sem glórias além de conflitos tão profundos, existenciais e exigentes quanto os diálogos de Malhação. É apenas busca por prazer, sem ter nada com que se preocupar. Uma êta vida besta, meu Deus, que trata o hedonismo, o jardim de Epicuro e a banalidade como questão mais urgente da vida e da realidade.

TEXTO 4 – ALGUMAS IMAGENS.



TEXTO 5 – O MOVIMENTO ESTUDANTIL NA HISTÓRIA DO BRASIL
A juventude sempre cumpriu – e cumpre – um papel importante na História dos povos. No Brasil, também é assim. Selecionamos alguns momentos importantes em que os estudantes organizados se posicionaram, defendendo os direitos de nossa sociedade, transformando a realidade em que viviam e contribuindo ativamente na construção de um país melhor. E fizeram História.
1710 - Quando mais de mil soldados franceses invadiram o Rio de Janeiro, uma multidão de jovens estudantes de conventos e colégios religiosos enfrentou os invasores, vencendo-os e expulsando-os.
1786 - Doze estudantes brasileiros residentes no exterior fundaram um clube secreto para lutar pela Independência do Brasil. Alguns estudantes desempenharam papel fundamental para o acontecimento da Inconfidência Mineira.
1827 - Foi fundada a primeira faculdade brasileira, a Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Este foi o primeiro passo para o desenvolvimento do movimento estudantil, que logo integrou as campanhas pela Abolição da Escravatura e pela Proclamação da República.
1901 - Fundação da Federação de Estudantes Brasileiros, que iniciou o processo de organização dos estudantes em entidades representativas.
1914 - Estudantes tiveram participação significativa na Campanha Civilista de Rui Barbosa, ocorrida em meados do século 20, e na Campanha Nacionalista de Olavo Bilac, promovida durante a 1ª Guerra Mundial.
1932 - A morte de quatro estudantes (MMDC – Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo) inspirou a revolta que eclodiu na insurreição de São Paulo contra o Governo Central (Revolução Constitucionalista).
1937 - Criação da União Nacional dos Estudantes (UNE), a entidade brasileira representativa dos estudantes universitários.
1952 - Primeiro Congresso Interamericano de Estudantes, no qual se organizou a campanha pela criação da Petrobrás – “O Petróleo é Nosso”.
1963/64 - Os estudantes foram responsáveis por um dos mais importantes momentos de agitação cultural da história do país. Era a época do Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, que produziu filmes, peças de teatro, músicas, livros e teve uma influência, que perdura até os dias de hoje, sobre toda uma geração.
Os estudantes formavam uma resistência contra o regime militar, expressando-se por meio de jornais clandestinos, músicas e manifestações, apesar da intensa repressão.
1968 - Em março, morre o estudante Edson Luís, assassinado por policiais no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro. No congresso da UNE, em Ibiúna, os estudantes reuniram-se para discutir alternativas à ditadura militar. Houve invasão da polícia, muitos estudantes foram presos, mortos ou desapareceram, evidenciando a repressão e a restrição à liberdade de expressão que eram características desse período. Em junho deste ano ocorre a passeata dos Cem Mil, que reuniu artistas, estudantes, jornalistas e a população em geral, em manifesto contra os abusos dos militares.
1984 - “1,2,3,4,5 mil. Queremos eleger o presidente do Brasil!!!” Diretas Já! – movimento da população, com participação fundamental dos estudantes e dos políticos progressistas, para a volta das eleições diretas para presidente no Brasil. O congresso votou a favor das eleições indiretas e Tancredo Neves foi nomeado presidente para o próximo mandato (a partir de 1985). Ficou decidido que as próximas eleições, em 1989, seriam diretas. Depois de 34 anos de eleições indiretas Fernando Collor de Melo é eleito presidente.
1992 - Acontecem sucessivas manifestações nas ruas contra a corrupção no governo, dando início ao movimento de estudantes chamado Caras Pintadas, que resultou no Impeachment do então Presidente da República, Fernando Collor de Melo.


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