domingo, 27 de março de 2016

Aula 07/2016 - Olimpíadas, legados...




Material da aula!


TEXTO 1 – Fato motivador
Vila Autódromo, a favela que se recusa a desaparecer por causa das Olimpíadas
Legado olímpico: Dona Penha sabe que a sua casa pode ser demolida a qualquer momento por causa da realização dos Jogos Olímpicos no Rio. A partir de 2018, aquela área será ocupada por condomínios de luxo. “Se os pobres acabarem, quem vai trabalhar para os ricos?”
Há uma máquina de lavar roupa e uma secadora à porta da Igreja Católica São José Operário, na Barra da Tijuca. Quando Dona Penha e a filha Natália pensaram que a casa delas ia ser demolida na quarta-feira, elas tiraram tudo o que conseguiram à pressa e levaram para a igreja. Foi assim que um colchão azul de flores amarelas, caixas, baldes, sacos, móveis, ventoinhas e mais do que um relance consegue apurar – Natália não queria jornalistas por perto e, quando os jornalistas apareceram, não quis fotografias – acabaram amontoados dentro da igreja, vigiados por uma cruz minimalista como um T.
Três casas da Vila Autódromo foram derrubadas no mesmo dia por uma retroescavadeira, por decreto da prefeitura (Câmara Municipal) e com mobilização da tropa de choque. Dona Penha e Natália estavam certas de que a sua casa ia ser a próxima – afinal, ela também estava incluída no decreto. Nos últimos dois anos, Dona Penha e Natália viram a maior parte dos seus vizinhos irem embora e a comunidade virar um cenário de catástrofe. Como se um tornado tivesse passado por aqui, as casinhas de tijolo, construídas pelos seus moradores, foram reduzidas a entulho, as ruas deixaram de existir e só sobrou lama, lixo e buracos.
Nenhum tornado passou por aqui. A comunidade de cerca de 550 famílias de baixo rendimento foi removida voluntariamente ou involuntariamente por causa da construção do Parque Olímpico, o principal centro das competições das Olimpíadas do Rio de Janeiro, que começam a 5 de Agosto. Chega-se ali atravessando a Barra da Tijuca, na zona Oeste do Rio, em toda a sua longitude de shoppings de inspiração norte-americana e condomínios – uma hora de congestionamento, no mínimo, para quem vem da zona Sul. Novos condomínios de luxo foram erguidos nos últimos anos, como a “vila”, intitulada Ilha Pura, onde os atletas olímpicos vão ficar alojados. Toda esta área em torno da Lagoa de Jacarepaguá sofreu uma intensa transformação urbanística, que continua em curso. Torres de múltiplos andares eclodiram no meio do mato. A avenida de acesso ao Parque Olímpico está a ser ampliada e pavimentada. As nove instalações desportivas do Parque Olímpico – onde serão disputadas 16 modalidades – estão praticamente concluídas. Não há como chegar lá sem ver a Vila Autódromo. Ou que resta dela: uma dezena de casas de tijolo dispersas entre ruínas e bananeiras, terra revolvida com pilhas de entulho, poças de água povoadas de mosquitos. E graffiti: “Não vamos sair!”

TEXTO 2 – SMH – Saia do Morro Hoje ou ERA DAS REMOÇÕES
Com a chegada da família real ao Brasil, em 1808, 10 mil casas foram pintadas com as letras “PR”, de Príncipe Regente, abreviatura que significava na prática que o morador teria que sair de sua casa para dar lugar à realeza. Logo, a sigla “PR” ficou popularmente conhecida como “Ponha-se na Rua”. Hoje, as casas removidas no Rio de Janeiro são marcadas com as letras “SMH”, de Secretaria Municipal de Habitação. A população também criou um apelido para a sigla: “Sai do Morro Hoje”.
Essa associação entre as duas eras de despejo – que afetam sempre a mesma população – é feita em “Do ‘Ponha-se na Rua’ ao ‘Sai do Morro Hoje’: das raízes históricas das remoções à construção da “cidade olímpica”, trabalho de conclusão de curso da jornalista Paula Paiva Paulo. Em entrevista à Pública, ela fala pela primeira vez sobre o estudo que revê as transformações no espaço público carioca e as remoções compulsórias que preparam o cenário. E afirma: Os despejos não acontecem por “falta de planejamento” urbano. “É simplesmente privilegiar a especulação imobiliária ao invés do direito a moradia”, explicita.
O termo: “Era das Remoções” foi retirado do excelente livro do historiador Mário Brum, “Cidade Alta – História, memórias e estigma de favela num conjunto habitacional do Rio de Janeiro”.
Ele se refere ao período de 1963 a 1975, no qual foram removidas mais de 175 mil pessoas somente no Rio de Janeiro. O então governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, trabalhou com as duas perspectivas, primeiro, com o criado Serviço Especial de Recuperação de Favelas e Habitações Anti-Higiênicas (Serfha), com a perspectiva da urbanização. Depois, com a extinção do Serfha e a subordinação dos órgãos habitacionais à Secretaria de Serviços Sociais, criada em 1963, a política habitacional passou a trabalhar com muito empenho com a perspectiva remocionista, já que, com a especulação imobiliária, políticos e construtoras tinham interesse na “desfavelização” da Zona Sul.
De acordo com Mário Brum, as primeiras remoções foram em áreas de obras, como as favelas da Avenida Brasil, removidas para a construção do Mercado de São Sebastião, e a favela do Esqueleto, retirada para a construção da UERJ, no Maracanã. Em um segundo momento, as remoções visaram favelas em terrenos de alto valor imobiliário, como o caso da Favela do Pasmado, em Botafogo.

TEXTO 3 – Legado Olímpico?
De Londres a Sydney, o que sobrou do legado das Olimpíadas?
A um ano das Olimpíadas no Rio de Janeiro, ainda há dúvidas quanto ao legado que o evento deixará para a cidade. Sedes anteriores ganharam e perderam com os Jogos Olímpicos.
Com um orçamento estimado em 24,6 bilhões de reais, o plano de legado das Olimpíadas do Rio de Janeiro conta com 27 projetos. O programa abrange obras urbanísticas, ambientais e, claro, esportivas. Carro-chefe da candidatura, o projeto despoluição da Baía de Guanabara, por exemplo, dificilmente será concluído até o ano que vem. Entretanto, outras iniciativas, como a linha de metrô que ligará Ipanema à Barra da Tijuca, deverão ficar prontas até julho de 2016.
Todas as quatro sedes anteriores dos Jogos Olímpicos também contaram com planos de legado. Os resultados, todavia, foram distintos em cada cidade. De elefantes brancos a importantes iniciativas de revitalização urbanística, confira abaixo o que sobrou das Olímpiadas nos últimos 15 anos.
Londres 2012 à O Parque Olímpico Rainha Elizabeth, que engloba o velódromo Lee Valley VeloPark e o Centro Aquático de Londres, é considerado por alguns um "elefante branco". Além disso, o fato de se ter gasto cerca de 13 bilhões de dólares do dinheiro público na construção do parque ainda inflama discussões na sociedade até hoje.
Pequim 2008 à Estima-se que serão necessários cerca de 30 anos para que todos os gastos do evento – aproximadamente 32 bilhões de dólares, o orçamento mais caro da história dos Jogos Olímpicos – se paguem. Em 2022, a capital chinesa sediará os Jogos Olímpicos de Inverno
Atenas 2004 à Segundo o governo grego, os Jogos custaram 8,5 bilhões de euros aos cofres públicos – o dobro do orçamento original. Por outro lado, a indústria do turismo cresceu consideravelmente desde então. Em 2014, 24,2 milhões de turistas visitaram o país, mais que o dobro dos 11,7 milhões registrados em 2004.
Sydney 2000 à Foi também a primeira Olimpíada que contou com um plano de sustentabilidade efetivo, levando em conta o impacto ambiental. O legado trouxe o maior parque metropolitano da Austrália, com 430 hectares, e estabeleceu o primeiro sistema de reciclagem de água no país. Financeiramente, porém, a história foi diferente. Segundo dados da Universidade de Melbourne, os Jogos de 2000 deixaram os cofres australianos com um rombo líquido de 2,1 bilhões de dólares.

TEXTO 4 - Olimpíada de 2016 no Brasil. A favor ou contra?
Eu acho absurda a idéia (com segundas e terceiras intenções, hipócritas e corruptas por parte dos cartolas e políticos) de organizar os jogos olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.
Nós precisamos de investimentos urgentes em educação, saúde, transportes e segurança. Para ficar só nessas áreas. Fora as reformas tributária, política e da previdência…
O gasto com a infra-estrutura de uma Olimpíada é gigantesco. Calcula-se que a China tenha investido mais de 60 bilhões de dólares e Londres, que será a sede em 2012, calcula até agora um gasto de 120 bilhões de reais!.
Se pensarmos que no Brasil a corrupção “arrecada” 120 bilhões de reais por ano, sem Copa do Mundo e sem Jogos Olímpicos, imagine com esses eventos… Esse valor se multiplicará por 2 ou 3, infelizmente.
Em se tratando de esportes, não temos o menor incentivo para nenhuma modalidade além do Futebol.
Nosso basquete é desorganizado, natação idem (se Cesar Cielo não tivesse ido treinar nos EUA bancado pela família, provavelmente não teria ganhado a medalha de ouro). Mesmo o judô que sempre consegue medalhas não é tratado como merecia. Basta lembrar do judoca Eduardo Santos que ao perder a disputa pelo bronze, chorou se desculpando com os pais por não ter conseguido vencer. Ele não pôde nem mesmo pagar o teste para a faixa preta por não ter condições financeiras, e só ganhou a faixa quando foi competir na China!! Isso é o cúmulo do absurdo!
E o futebol feminino, então? Tirando duas ou três meninas que jogam na Europa, o restante desembarcou no Brasil sem emprego! Não tem liga oficial, não tem incentivo da querida CBF que prometera, após o Pan do Rio, reformas no futebol feminino, lembram? E mesmo assim conseguiram a proeza de ganhar medalha de prata!
E falando no Pan 2007, que teve sua primeira medalha de ouro brasileira ganha pelo lutador de taekwondo Diogo Silva, que aproveitando a oportunidade, contou o grande incentivo que recebia da Federação de sua modalidade: 600 reais não mensais, pois tinha mês que não via um centavo. Tinha dificuldades para treinar por conta da falta de dinheiro, tendo que conciliar outro trabalho.

TEXTO 5 - Custos da Olimpíada no Rio têm aumento de R$ 70 milhões
A terceira atualização da Matriz de Responsabilidades dos Jogos de 2016, divulgada nesta sexta pela Autoridade Pública Olímpica (APO), no Rio, mostrou que o evento está R$ 70 milhões mais caro. O total dos gastos já estaria em R$ 38,7 bilhões.
A Matriz de Responsabilidades é um documento que trata principalmente do que está relacionado às arenas esportivas, e ainda de serviços exclusivos para a Olimpíada . Ou seja, engloba projetos que não seriam executados se a Olimpíada não fosse realizada. Foi lançada em janeiro de 2014 e, desde então, é atualizada a cada seis meses.
Na versão anterior do documento, de janeiro de 2015, havia a relação de 56 projetos. Agora, esse número caiu para 46. A reforma do Estádio Aquático Julio Delamare, por exemplo, não consta mais da matriz. Isso porque o local, que abrigaria competições de polo aquático, sofreu atraso no começo das obras e as disputas da modalidade tiveram de ser transferidas para o Maria Lenk, no Parque Olímpico.

TEXTO 5 - Custos da Olimpíada no Rio têm aumento de R$ 70 milhões



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